sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Temporada Centenário ou resumo da ópera...

04 a 08/09/09

Ontem à noite fui encontrar meus amigos numa barraca de praia. “Pra variar” cheguei lá muito antes de todo mundo (cheguei no horário combinado!). Já ia desistir de esperar na praia, quando encontrei Chico... Depois Rubens chegou e o papo rolou solto até uma hora da madrugada...

As meninas acabaram não aparecendo e eu fiquei sozinha com os dois. Ri tanto que saí de lá mais leve e com os olhos inchados de chorar!! ;-) Na realidade, todos rimos muito, pois sempre acumulamos assuntos para esses encontros, que eles alegam que só acontecem quando eu chego por aqui...

Hoje vou mudar para o hotel. Cristina e tia Belkiss vão ficar aqui na casa de Maria Sônia e eu reservei hotel para ficar com Erick e Mariana. Aninha (e família) e Sumaia ficarão no mesmo hotel que a gente, mas nem sei se teremos tempo para conversar... A família de Bartolomeu já chegou e também está instalada em hotel, mas não no nosso...

Eu lembro da primeira vez em que entrei em um hotel... Foi em Recife. Um primo de papai, que morava em Fortaleza, estava hospedado em um hotel no centro da cidade (acho que perto do Cine Trianon, que nem deve existir mais) e nós fomos lá visitá-los.

Acho que não fazia ideia do que era um hotel, quando passava pelo Ponto Cem Réis e via aqueles homens na frente do Paraíba Palace...

Bem, depois de uns dias longe de meu blog, volto a escrever completando esse texto, pendente desde que chegaram Erick e Mariana e que as atividades sociais se intensificaram...

Resumindo tudo que nos aconteceu: foram dias de muita alegria e pouco sono, muitos encontros e poucas brigas (ou nenhuma briga, ao contrário do que acontecia quando éramos crianças ou mesmo não tão crianças assim...)

Como toda festa de famílias tipicamente santaluziense, nossa festa começou com uma missa.
Apesar dessa missa ter sido celebrada na capela do colégio onde eu cursei quase todo o ginasial, não encontrei lembrança alguma perdida por lá...

Algumas pessoas de minha família são bastante católicas e organizaram um ritual bastante significativo e cheio de detalhes. Eu, como filha, participei de uma espécie de procissão de oferendas (rosas brancas e lírios amarelos). Mesmo não entendendo nada de Missa, Erick subiu ao altar para participar de uma oração lida pelos netos...


Um fato inusitado aconteceu durante a missa: o garoto que segurava a lâmpada de iluminação do cinegrafista desmaiou no altar... Foi um susto muito grande para todos nós, mas o padre não chegou a suspender a celebração...


O garoto teve uma crise de hipoglicemia, devida ao jejum que mantinha desde o dia anterior... a falta de alimentação, associada ao calor da capela, derrubou o menino! Ele foi socorrido e retirado para os fundos da capela, onde lhe deram uma bala para chupar e onde ele pôde respirar melhor e se refrescar um pouco...

Depois da missa, o foto!

Essa é mais uma tradição que parece muito importante para a família. O encontro precisa acontecer, mas mão bastava acontecer, tinha que ser registrado!


(isso me faz lembrar que ainda não fui atrás das fotos de minha formatura... Sou uma Medeiros meio fajuta!!) ;-)


O almoço foi ótimo. Mesmo meu irmão Sóstenes (que se recupera de uma cirurgia ortopédica depois de ter quebrado o fêmur no final de agosto) compareceu, ainda que tenha saído mais cedo do que a maioria de nós... Apenas Carlos não pôde ir...


Meu primo Expedito, filho caçula do irmão mais novo de meu pai, se encarregou de me arrancar as lágrimas que quiseram cair durante a "procissão", mas que eu consegui conter... Ele leu um depoimento sobre papai e eu não fui a única a chorar!!


Bem, o resto da festa foi só alegria e muitas fotos!! (nós, eu e Erick, até levamos nossa câmera, mas, "para variar", não a usamos e nem por isso temos poucas fotos do evento!)


Ainda passamos o dia 07/09 em João Pessoa, com direito a almoço em família na casa de Paulo. À noite, fui com Erick e Mari, passear um pouco na calçadinha e comer cachorro-quente paraibano... Mari estranhou muito a presença da carne-moída, mas eu expliquei que aquele sanduiche é tradicional de lá e que eu cresci comendo aquilo na Festa das Neves e, mais tarde, depois dos bailes de formatura... ;-) Quem nunca provou, precisa conhecer!!

A árvore que Darci e Rita plantaram

03/09/09

Essa minha temporada pessoense tem sido atípica. Ontem fui ao show de Luiz Caldas com Sônia, lá encontrei Odinete e Carol. Quando o show acabou exatamente começou a “esquentar”... ;-) Mas foi bom mesmo, pois eu já estava muito cansada...

Como eu estou muito ocupada com a tarefa que me foi passada por Bartolomeu, de refazer nossa árvore genealógica de a partir de papai e mamãe, minhas amigas se encarregaram de combinar com os meninos um encontro para a noite. Chico Alemão e Rubens virão nos encontrar, portanto a noite promete ser longa e cheia de muitas gargalhadas... ;-)

Até que o trabalhinho ficou legal... Mas que foi difícil acomodar todo mundo em um espaço restrito mantendo uma distribuição uniforme, isso foi!! ;-) Aqui, a figura saiu borrada, acho que devido à compressão sofrida, pois o original mede 200X30 cm... Bem... os filhos estão representados em lilás, os netos em azul e os bisnetos em verde... Do final para o início, sou a quinta caixinha lilás... que deu origem a uma caixinha azul!!

Abaixo, Abaixo, a raiz da árvore... e os ramos... ;-) ........

O trabalho de Bar.................................tolomeu, esse sim é O trabalho de Bartolooomeu O trabalho de Bartolomeu, esse sim é admirável. Ele retrocedeu até a décima-oitava geração de nossos antepassados e fez uma “senhora” árvore de nossa família... Eu admiro esse interesse dele em aprofundar o conhecimento das nossas raízes, ainda que eu mesma não compartilhe de tal interesse, uma vez que não teria capacidade de registrar tantos parentes na minha memória...

Meus irmãos conviveram muito mais do que eu, com a família toda. Aliás, eu até já ouvi de um desses parentes mais afastados que meu pai só tinha uma filha e que era Maria Sônia... (não sei se já havia falado sobre isso aqui, provavelmente já... a repetição, à vez por outra, será inevitável...)

Quebrando barreiras

02/09/09

Mais um dia caminhando em direção a Manaíra... Fui comprar ingresso para o Projeto Seis e Meia, que hoje traz Luiz Caldas e Paulinho Boca de Cantor.

Passei rapidinho na casa de Fernanda e segui para comprar meu ingresso. Segui por uma praia urbana, passei por várias lojas e restaurantes...

Como hoje fiz o percurso pela calçadinha, ao invés de seguir pela beira-mar, não consegui encontrar quase nenhum traço daquela praia de minha infância... Fiz questão de voltar pela areia molhada, não só porque o sol já estava muito forte, mas, principalmente, para manter o contato com minhas lembranças espalhadas na areia...

Hoje, com a maré baixa, encontrei quase tudo que costumava encontrar na areia quando criança... A variedade de sargaço era grande, ainda que eu não tenha pisado naqueles babentos; as conchinhas estavam lá, claro que em menor quantidade, mas estavam; pisei numa “lua”, mas não vi estrela alguma (eu tinha medo daquelas grandonas, que Sóstenes pegava.... eu achava que pareciam muito com polvo, que era o animal marinho que mais medo me metia!)...

Quando a gente morava no Gonçalo, na transição entre as décadas de cinquenta e sessenta, vez por outra passavam botos (ou seriam golfinhos?) relativamente próximo à beira-mar... Na minha memória há o registro de um amigo de Sóstenes “pegando bigu” nas barbatanas de um desses peixes (ou cetáceos?)... Ninguém pode brincar com minha memória... ;-)

Outra coisa que pude ver hoje na praia, foi uma “barreira” de areia... Como a faixa de areia é bem estreita, na região do Gonçalo, a maré sempre forma barreiras que nos divertíamos em quebrar ... ou em saltar, como na foto ao lado, em que eu, já grandinha, brinco, com Martinho e Paulo, de pular barreiras...

Era delicioso escorregar pelas barreiras mais altas e nos sujarmos todos de areia!

Talvez a brincadeira me tenha ensinado a também pulá-las na vida adulta... (quando não são mais de areia e podem machucar bastante, se errarmos o pulo ou cairmos de mal jeito...)

Na casa de Fernanda

01/09/09

Hoje eu mudei meu roteiro de caminhada... Fui em direção ao Gonçalo... ou melhor, à Manaíra!

Fernanda me convidara para almoçar na casa dela (que, por sinal, é a casa que meu pai construiu no lugar daquela em que costumávamos veranear e onde moramos no biênio 1959-60) e eu nem me fiz de rogada para aceitar o convite! ;-)

Fernanda é uma menina muito linda, mãe de dois meninos muito queridos e casada com outro menino de quem gosto muito. Aquela é uma casa que gosto muito de frequentar!

Quando Fernanda nasceu, eu estava na casa de papai, gozando minhas primeiras férias da vida profissional. Lembro da noite em que acordei no meio da noite com a movimentação da saída de minha cunhada para a maternidade e lembro de como conheci aquele bebezinho tão pequenininho, que estava no berçário quando eu fui vê-la no dia seguinte (acho que foi no dia seguinte...) ao seu nascimento.

Foi a visão de Fernandinha naquele bercinho, chupando aquela enorme chupeta vermelha, que primeiro me despertou a vontade de ser mãe... Eu queria uma coisinha fofa daquelas para mim! Quando eu cuidava de Paulo, eu me sentia meio mãe dele, depois tive oportunidade de ajudar a cuidar de meu sobrinho Alexandre, mas nunca tinha pensado em ter um filho saído de minha barriga para meus braços e para meu peito. Mas naquele dia eu senti essa vontade, talvez eu estivesse, enfim, madura para a maternidade...

Já Fernanda, essa tem um instinto maternal muito aguçado, desde a mais tenra idade... Hoje, com dois filhos lindos, ela é mesmo uma mãezona!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Preparativos

31/08/09

Hoje eu fui, com Maria Sônia e minha sobrinha Fernanda, conhecer o local onde acontecerá a nossa confraternização, no próximo domingo.

O lugar é muito agradável e eu espero que a festa também o seja.

À tarde, saí caminhando aqui por perto. Fui até o Mercado de Artesanato, tomei café num centro turístico, tomei sorvete e voltei para casa sem ter conseguido comprar o cinto que preciso para poder usar o vestido que comprei sábado à minha sobrinha Côca... Vesti-lo soltinho como é, vai me deixar maio ridícula... grávida aos 57/8 anos... ;-)

Pensar nesse vestido e na minha barriguinha “amostrada” (eufemismo para saliente!), me faz lembrar que depois de minha caminhada de ontem eu devo ficar bem mais conformada com o volume que trago à cintura...

Há cerca de três verões, eu vinha hesitando muito em exibir minha vergonha (leia-se barriga...) ao sol. Apesar de ser bastante desinibida em relação ao meu próprio corpo, tentava poupar os olhos alheios, mantendo meus pneus protegidos por um maiô inteiriço. Como estava muito “desbotada”, e sabia que ficaria com o maiô “tatuado” na pelo, ao tomar sol (como fiquei no início do ano) e como trouxe para cá apenas vestidos e blusas decotados, resolvi esquecer os outros e me permitir um bronzeamento mais “honesto”, usando um biquine.

Ontem, na praia, encontrei toneladas de barriga de fora... quilômetros de estrias, montanhas de celulite... Eu, francamente, me senti muito em forma! O engraçado é que a grande maioria daquelas mulheres se recusaria a ir à Tambaba por ter vergonha de tirar a roupa em público... eu acho a nudez mais natural e tranquila para quem está “fora de forma”, do que o uso de roupas que chamam a atenção para as gorduras que teimam em aparecer mais do que as próprias roupas...

Bem, mas o importante é que cada um se sinta bem consigo mesmo e possa aproveitar a deliciosa sensação do sol sobre a pele...

À tardinha, chegou Bartolomeu... Ele está hiper-super-entusisasmado com a festa e com o livro que escreveu. Deixou um exemplar comigo e eu li, quase inteiro, antes de dormir (Pulei umas partes em que ele coloca documentos sobre a vida profissional de papai, já lera antes, quando ele mandou por e-mail e não tive interesse em reler).

O livro está ótimo. Acho que Bartolomeu devia estudar História... Gente... eu acho, mas não tenho que achar nada! Ele quem gosta muito de achar... já chegou aqui “achando” motivos diferentes dos alegados pelas pessoas que não virão à festa... Eu não gosto nem um pouco dessa mania que ele tem de se achar sabedor de tudo... (ou “cagar sabedoria”, como diz meu amigo Antemar)

Meu relacionamento com meus irmãos sempre foi dificultado por essa maia que eles teem de saber de tudo... Não adianta nada você responder qualquer pergunta que eles lhe fizerem... Eles sempre terão uma resposta prévia (baseada nos valores e comportamentos deles próprios) que continuará sendo a “verdade” para eles...

Eu sofri muito tentado provar coisas para eles, na época em que a opinião deles era importante para mim... e em que eu não sabia que chorar provoca rugas...

Não posso esquecer as lágrimas que derramei porque Felipe insistia em dizer que eu não descera de determinado ônibus na Conde da Boa Vista (onde eu descera, sim), pois aquele ônibus não parava lá... Não adiantava eu dizer a ele que naquela tarde o ônibus parara e eu descera... Ele não acreditava mesmo!!

Domingão

30/08/09

Hoje eu acordei ao som de um locutor que se “esgoelava” chamando os participantes da oitava Meia Maratona da cidade de João Pessoa para colocarem seus chips para a corrida... Eram 6:50h e o homem não tinha pena alguma dos que ainda se aninhavam nos braços de Morfeu... como eu!

Acho que a Lei do Silêncio não vale aqui para Jampa... ou o horário é outro... Ainda tentei fazer de conta que aquele barulho todo fazia parte do meu sonho e continuar na cama, mas não resisti muito tempo... levantei antes das sete e meia, tomei um café frugal e fazer minha caminhada matinal...

A praia estava fervilhando de gente! Além disso, a maré alta “comia” boa parte da faixa de areia em que gosto de me exercitar... Não gosto de caminhar disputando espaço com jogadores de frescobol ou de “pelada”, mas foi assim que tive que fazer hoje... Os cachorros também, é claro, tinham preferência, em relação aos caminhantes que teimavam em tentar seu “lugar à beira-mar”...

Isso tudo sem falar nas carrocinhas de lanches variados: picolés e sorvetes, “garrafinhas” (fiquei curiosa em relação a isso, ouvi um banhista perguntando seu preço e reclamando que uma garrafinha por um Real seria um roubo...), salada de frutas, refrigerantes, água mineral... Naturalmente, o lixo dessa verdadeira “praça de alimentação” estava espalhado pela areia e jogado ao sabor das ondas do mar...

Fiz um percurso bem menor do que o que costumo fazer e voltei para casa frustrada por ter “perdido” um dia de sol... Mais tarde, fomos, eu e Maria Sônia, almoçar na casa de Paulo. Lá, todos acharam que eu estava bronzeada e eu me consolei... Realmente, já adquiri a cor que mais combina comigo!

Foi um almoço sertanejo muito gostoso, o que Socorro nos preparou. O feijão-de-corda aqui da Paraíba parece mais gostoso que o dos outros lugares!!

Depois do almoço, meus irmãos e sobrinha foram exercer um “sagrado vício” familiar sentados em uma mesa de carteado... O jogo que se pratica na nossa família é tão estranho ao resto do mundo (pelo menos à parte do mundo que eu conheço!), quanto popular entre nós...

Eu, que nunca consegui levar jogo algum a sério, não disputo lugar naquela mesa, mas sou exceção à regra familar (aliás, sou a exceção que confirma muitas das “regras” de minha família... o que, na minha infâcia, foi motivo de desconfiança, de minha parte, da minha real condição de membro do clã...).

Só voltamos para casa à noitinha, apesar de eu ter planejado voltar ainda de dia, pois teríamos um encontro com os colegas do Lyceu.

O encontro aconteceu, mas foi reduzido a um bate-papo no apartamento de uma das meninas (para lá, fomos apenas eu e outra colega). O apartamento fica em um lugar muito bonito, que sempre me desperta a vontade de alugar um “quitinete” lá para passar um mês inteiro... Quem sabe eu faça isso no próximo verão!!

Flores e copos de leite

29/08/09

A principal razão de minha permanência em Jampa nessas semanas que antecedem o Centenário, é minha possível contribuição nos preparativos da festa, mas parece que minha presença é perfeitamente dispensável...

De todo jeito, estou aqui e ajudarei no que me for pedido ou mandado...

Hoje eu fui com Maria Sônia e Carmo (minha sobrinha que chegou a amamentar Erick em seus primeiros meses de vida) a uma floricultura onde encomedamos as flores que enfeitarão o altar, na missa de papai.

Foi um sábado bem diferente do que eu havia planejado passar aqui (na realidade, eu pensara em passar o fim de semana em Recife...).

Havia combinado com três amigas para nos encontrarmos aqui mesmo em Tambaú e batermos um papinho, mas uma das meninas ficou gripada e desistiu de vir. Outra me chamou para irmos a um show em homenagem a Jackson do Pandeiro, um programa bem popular, música em praça pública...

Aí fui eu que não topei... Agora que parei de espirrar cada vez que o vento me faz cócegas, não vou experimentar qual seria a reação de meu nariz à poeira da praça da Paz...

Fiquei em casa... li, adiantei um pouco o trabalho da edição do Vita Christi, escrevi um pouco...
Tentei fazer contato com minha lembranças infantis, mas elas parecem ter ido dormir cedo...

Fui jogar “paciência spider” no laptop... Papai bem gostaria de conhecer esse joguinho... Ele gostava muito de passatempos e tinha uma boa coleção deles... (sobre passatempos, não esqueço de Laplace, que me disse um dia que não podia gostar deles, pois não tinha tempo para “passar”.. mas papai, pelo menos em sua “terceira idade” dispunha de muito tempo para esses jogos)

Acho que lá em casa todos nós apredemos a gostar de passatempos com papai... Mamãe, como Laplace, não tinha muito tempo livre para eles... Quando o tinha, no entanto, ela preferia conversar com os vizinhos, (tentar) fazer algum trabalho manual ou mesmo escrever na sua agenda... É, eu acabei herdando os hobbies de ambos!!

Herdei também o gosto pelos dicionários, só que adotei um viés diferente, já que minha proposta é de trabalho científico. Mas eu gostaria muito de conhecer o arquivo manual que papai preparava para editar um dicionário charadístico no início da década de 60, com os colegas do clube de charadistas do qual fazia parte...

Quando morávamos em Tambaú, antes de mudarmos para o Recife, papai frequentava reuniões semanais (se não me engano, aos sábados) no tal clube, que ficava no primeiro andar de um prediozinho próximo ao local onde funcionou (anos mais tarde) o Cine Municipal. Algumas poucas vezes ele nos levou (os menores) com ele, mas não era um “passeio”, era um lugar muito sem graça... (se bem que valia pelo passeio de jipe até lá!)

Lembro que lá por perto também havia uma “cooperativa” onde ele comprava gêneros alimentícios para abastecer a dispensa lá da praia... Lembro das monstruosas latas de leite Ninho (argh! leite, especialmente em pó, sempre me provocou repulsa!) que ele comprava naquele lugar... acho que era a cooperativa da ASPEP... (que deveria ser algo como Associação dos Servidores Públicos do Estado da Paraíba...)

Quando a gente foi morar na praia perdeu alguns dos fornecedores que abasteciam a dispensa da casa da cidade e alguns hábitos mudaram... Lembro que mamãe preparava o leite no liquidificador, batendo-o com água quente. Lembro do cheiro que me revirava o estômago,mas acho que já havia obtido minha liberação em relação ao leite... (se bem que eu ainda era muito menina... talvez tenha tido que “caprichar” no Nescau para “apagar” os traços do cheiro enjoado daquele leite).

Um fato que sempre me vem à memória, quando lembro do leite Ninho daquela temporada, é o de um primo de meu pai que veraneava lá pertinho e que levou, para que experimentássemos, um leite em pó que ele recebia (acho que ele era prefeito de Santa Luzia, se não era, trabalhava na prefeitura...) para distribuir com as crianças vítimas da seca braba do sertão (recebia para distribuir, mas tratava de ficar com uma parte e até oferecia aos vizinhos... será que ele achava aquilo certo? Bonito?). O leite vinha dos EUA e eu lembro que não foi bem aceito lá em casa... ainda bem!!