Aqui pretendo descarregar as memórias que me afloram a mente e que não necessariamente são relativas a fatos reais. Um dia, um irmão disse-me que eu tinha uma memória criativa... mas, não serão criativas todas as memórias?
sábado, 19 de junho de 2021
sexta-feira, 18 de junho de 2021
quinta-feira, 17 de junho de 2021
Tentando, se tentando e setentando
Meu propósito de escrever aqui, pelo menos um pouco a cada dia, visa principalmente a combater a perda de memória, tão natural quando a gente se aproxima dos 70 anos...
Não é tarefa fácil, não se trata só de escrever... aliás, a parte mais difícil tem sido escolher uma memória para expor aqui... um fato... uma foto...
Uma foto! Muito linda, não é? Em Jampa, no Mangai, como um grupo animado e barulhento! A maioria de nós está sorrindo, pois o clima era de uma alegria quase juvenil. Celebrávamos uma amizade que vinha da infância, ou quase dela...
Resolvi postar esta foto porque ontem eu tive uma longa conversa com uma destas meninas...
Ela, completou anteontem os 70 anos que a maioria de nós vai completar até o final do ano. Eu também completarei, em quando setembro vier...
É engraçado como tem gente que esconde a idade e que não aceita a velhice. Eu amo minha condição de velhinha... não gosto de ser “idosa”... não gosto da palavra... soa muito formal e burocrática... não vejo nela nenhuma possibilidade de ser usada em canções, ou como tratamento carinhoso, ou mesmo como vocativo... prefiro ser velha e continuar amando a vida, enquanto vida eu tiver!
quarta-feira, 16 de junho de 2021
Saudades em, pelo menos, três sentidos!
Que foto pecaminosa esta!
Foi postada por uma amiga no Facebook e me despertou saudades... isto é... não chegou a despertar, pois minhas saudades não têm conseguido dormir! Com este isolamento social que parece não ter fim... na verdade, despertou uma necessidade crescente e que vai se tornando urgente de estar neste cenário... um cenário que me é visceralmente familiar!!
A foto atingiu, pelo menos, minha visão, meu olfato e meu paladar!
Estes cajus – com aparência de tirados por perto – separados por tamanho...
Estes sapotis...e as seriguelas...
Os abacaxis gordos e sem brocas aparentes...
Estas mangas rosa que quase me fizeram sentir o cheiro!
E as garrafas de manteiga ao fundo...
Bastou isto... e lá vieram dois pecados de braços dados: gula e inveja!
Preciso vencer o medo de entrar num avião!
terça-feira, 15 de junho de 2021
Contando o tempo
Uma aglomeração destas já seria inesquecível em tempos normais...
Nas condições surreais para as quais a inesperada pandemia nos empurrou, tudo parece ainda mais doce e se faz indispensável repetir sempre que for possível!No Instituto de Letras da UFBA – onde reencontrei o prazer de ser estudante, depois de aposentda – encontrei uma das mulheres mais sábias, das muitas mulheres sábias que conheci no mundo masculino em que vivi a maior parte de minha vida. Suzana Alice repetia sempre, especialmente para suas jovens orientandas: “a oportunidade é lisa... e desliza... nunca a deixe escalar!”
Ela dizia que aprendera o lema com sua avó...
Avós são sempre sábias... com a minha, aprendi: “sou de cera... só quero quem me queira!”
É... decididamente, ainda estou muito longe de estar pronta para ser avó!
Por enquanto, tento reter os ensinamentos que vêm delas... e “atuar em consequência” – coisa que estou aprendendo com a militância política à qual fui levada a assumir como tarefa urgente, nesta minha juventude tardia...
Mas... que a saudade tá grande... ah, tá!!
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Santantonho
É curioso como fui criada em uma família tão católica e não tenha lembrança alguma relativa a devoção de algum santo...
Não lembro de ter imagens de santos lá em casa... pode até ser que tivesse e que eu tenha apagado a lembrança graças a minha pouca simpatia por eles...
Lembro que tinha um quadrinho com uma foto de nossassenhora de Fátima no meu quarto e um quadro da “santa ceia” – de madeira e metal – no quarto de meus pais... ou na sala de jantar... não lembro bem...
Lembro que me contaram sobre esta coisa de afogar o santo, numa espécie de tortura, para exigir que ele arranjasse casamento... como fui criada para ser freira, nunca me interessei pelo assunto...
Pra mim, santatonho era mesmo a data da primeira canjica do ano e era algo que me agradava!
Tinha uma coisa de plantar o milho no São José, pra colher no Santo Antônio... sou muito pouco versada nestas coisas de santos...
domingo, 13 de junho de 2021
12 de junho!
Esta data – que, aqui no Brasil, o mercado consagrou como dia oficial de troca de presentes entre parceiros amorosos – “lá em casa” era mesmo marcada como o aniversário de mamãe!
Era uma data em que nos esforçávamos para estar em casa, pois tidos sabíamos que este era o melhor presente para D. Rita!
Na foto ao lado, mamãe era uma adolescente que adorava festas! E ela sempre me falava de como gostava de dançar e como era disputada nos bailes, por ser “pé de valsa”...
Aqui, ela aparece com o namoradinho da época – na verdade, acho que o namoro ainda nem tinha mesmo começado! O cara era mesmo bonitão e estava decidido a conquistar aquela mocinha, mesmo sem saber dançar e tendo um temperamento muito pouco afeito a festas...
Bem... acho que ele tinha muito charme e qualidades que superavam sua pouca habilidade nas pistas de dança... conquistou o coração da menina, casaram e construíram a numerosa família na qual eu nasci...
Fui o oitavo bebê – dos 12 que tiveram – a ser recebido nos braços deles!
Sim... mas... apesar de ter sido a oitava criança da prole de Rita e Darci, quando cheguei fiquei na sétima posição, pois um de meus irmãos mais velhos havia morrido em bebê... Aliás, dos 12 bebês, só 10 sobreviveram às doenças infantis que então grassavam por aqui...
Agora... pense no privilégio de ser fruto do romance vivido por esta dupla!






