sábado, 16 de janeiro de 2010

Tentando retornar...Com saudades!!

Hoje (sim, ainda é 15 de janeiro, para quem não foi dormir ainda...) faz 46 anos que ganhei meu irmãozinho caçula... Um irmão que chegou quando já éramos todos grandinhos (mesmo Martinho, ainda de calças curtas, já estava na escola e até já sabia ler... já completara seis anos...) e que foi um pouco filho de todos os irmãos...
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Lembro de como esperamos ansiosos o dia de seu nascimento... mamãe queria colocar-lhe o nome do santo do dia. Todo dia eu olhava na "folhinha", torcendo para que não nascesse em dia de santos como Basílio, Severino ou mesmo Hilário... O dia 15 trouxe o nome de Paulo, acho que todos gostamos...
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Como o costume de casa era termos nomes compostos, lembro que partimos para o trabalho de escolha de um complemento adequado ao nome de nosso irmãozinho... Na minha memória está registrado que foi minha a sugestão do Guilherme, mas há controvérsias, que fiquei conhecendo recentemente...
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Que horror!! Comecei a escrever este pequeno texto na noite do dia 15 de janeiro e só agora volto a ele!!
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Retomo com essa foto em que Paulinho aparece pronto para o carnaval... era assim o nosso carnaval... Eu mesma, que sempre adorei fantasias (fossem elas para vestir ou para sonhar), não lembro de ter usado uma antes de começar a conquistar minha identidade, minha individualidade...
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Na foto, Paulinho (aliás, nessa época, provavelmente, já nos tratávamos por "Bola/Bolinha"... depois falo sobre esse tratamento, que foi o único apelido carinhoso que ganhei de um irmão...) está todo "chic", de terninho de linho, botinha, meias... segurando uma "trolança" e usando um chapéu horroroso na cabeça...
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O chapéu foi uma de minhas "obras-primas"... Eu peguei um chapéu de cartolina que distribuíam como propaganda de cerveja (acho que era da Brahma) e recobri um retalhão que encontrei no meio das coisas de costura de mamãe... ainda "apliquei" uma tirinha de feltro preto na borda das abas... pense numa "presepada"...
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O pior de tudo foi enfiar o chapéu na cabeça de Bola (ou melhor, a cabeça dele no chapéu!) e deixar que fotografassem... Pobre criança!
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Pois é... também naquela época eu começava minha "promissora" carreira de "estilista"... andava com mania de costurar... de reformar roupas velhas... nunca fiz curso de "corte e costura", mas me aventurei nesse terreno por conta própria e, como acho que já comentei nesse espaço, com o "apoio luxuoso" de Gil Brandão e seus moldes publicados em revistas mensais...
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Bem, pelo chapeuzinho "maneiro", pode-se notar que eu ia além das roupas... também fazia acessórios! ;-)
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Bem, assim era nosso carnaval de criança... Lembro que mamãe sempre nos comprava um "kit carnaval" (claro que não com essa denominação...) composto de saquinho de filó colorido com confetes (já falei desses saquinhos aqui!!), língua de sogra e apito, máscara de papel cartão, uma outra espécie de máscara... tipo uns óculos estranhos (procurei na internet, para ilustrar minha descrição, mas não encontrei...) que eram presos com elástico e que incomodavam muito... e uma bisnaga plástica (também não encontrei ilustração na internet, acho que foram proibidas...) para a brincadeira do molha-molha...
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Mamãe contava que na sua juventude ela brincava de molhar as pessoas no sábado de carnaval. Era o "entrudo"... Ela falava que se usavam laranjinhas de parafina cheias de água perfumada... "No meu tempo" a água usada já não era perfumada... Com o passar do tempo, o molha-molha, que era brincadeira de criança, virou mela-mela, praticado por adultos, e trouxe muita violência... foi banido...
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Quando comecei o texto, em janeiro, falaria basicamente de minha relação com meu irmão-filho, mas vou deixar o assunto para outra oportunidade.
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Durante todo esse período em que estive afastada daqui, fui tomada por uma enorme preguiça de escrever... talvez seja devida à proximidade do início de meu mestrado, quando sei que não poderei me dar ao luxo de uma preguiça dessas... ;-)
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Minhas lembranças não me abandonaram... Acho que eu que as abandonei um pouco... Elas aparecem, pulam na minha frente, e eu não lhes dou o tratamento e a tenção que merecem... o resultado é parecido com a caixa do quebra-cabeças que comprei para montar com Erick... são três mil pecinhas... miúdas e não muito diferentes... Também comprei um "porta-puzzle" e já começamos a montar o mapa mundi do século dezessete... tomara que terminemos a tarefa ainda no século 21!!
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(e aqui vai mais um texto meio desconexo... talvez o último a ser postado com o auxílio do meu cristalino esquerdo original...) ;-)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A lapinha

Continuando com a minha visão dos natais de minha infância... (volto hoje, quase 10/01/10, para concluir meu texto de antes das "férias de fim de ano")
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Além da árvore de Natal, a gente montava o presépio, que chamávamos de "lapinha"... Mamãe tinha muitas figuras de gesso e dedicava uma atenção muito especial à lapinha...
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Quando, passeando à beira-mar, a gente encontrava uma daquelas pedras calcárias com forma, cor ou tamanho que nos chamasse a atenção, levávamos para casa para ser usada no cenário que mamãe montava cuidadosamente.
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Lembro que às vezes o tabuleiro de gamão (que ela adorava jogar!) servia de base para a montagem. O trabalho de preparação dessa base envolvia um chão, feito sobre um enorme papel de embrulho (meio amassado, o que dava um efeito muito legal) no qual se passava grude de goma (usávamos muito essa cola nos nossos trabalho, lá em casa!) e jogávamos areia da praia e pó de pedra colorida vinda da Ponta de Seixas.
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Lembro também que houve um ano em que os meninos fizeram uma linda cabaninha de madeira para servir de abrigo para a família de Jesus. A cabaninha foi cuidadosamente coberta de palha de coqueiro e ficou mais linda ainda!
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Eram muitas as figuras que participavam da nossa lapinha: havia o menino Jesus, que já vinha deitadinho em seu "bercinho"; Maria, de manto azul, e José, de marrom, apareciam ajoelhados e eram colocados ao lado da manjedoura.
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O anjo Gabriel "lindo e loiro" era colocado sobre a choupana (onde também se colocava uma estrela de rabo...). Também havia alguns pastores aparecia para ser colo, alguns pastores , uma vaquinha, patinhos (que ela colocava "dentro" de um lago feito com seu espelho de toucador...)
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Não lembro de montarmos a lapinha sem o menino Jesus, que, em muitos presépios só é colocado no dia de Natal... lá em casa ele estava presente desde o início... Mas os reis magos (com seus imponentes camelos), esses sim tinham data certa para entrarem em cena... o dia de Reis (o6/01)... Se bem que depois a gente deixou de obedecer esse ritual, uma vez que eles só ficariam expostos por muito pouco tempo, pois tudo era desmontado e reempacotado logo nos primeiros dias de janeiro... (os pobres Baltazar, Belchior e Gaspar mereciam uma exposição mais demorada...) ;-)
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Nosso ritual natalino, além da lapinha doméstica, envolvia uma verdadeira pereguinação pelas igrejas da cidade, para visita aos presépios que eram sempre muito bonitos e cheios de detalhes bem cuidados...
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A igreja das Mercês, a do Rosário, a de Lourdes, a da Misericórdia e a Catedral... essas eram visitas que nunca faltavam no nosso roteiro natalino... Mesmo quando morávamos na praia, íamos às igrejas, então, distantes para admirar os presépios (é engraçado, mas a esses eu não lembro chamarmos "lapinha")...
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Nos anos em que moramos em Recife, na minha infância, o número de igrejas que visitamos foi ainda maior... Eu adorava esse programa!
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Mais tarde, quando eu já era adolescente, lembro de ir com mamãe ver um presépio grande que a Prefeitura montara na Lagoa... naquele, os animais eram vivos, mas a montagem não superava a beleza dos que havia nas igrejas... será que ainda existe essa tradição?
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Aqui em casa eu gosto de expor meus dois pequenos presépios, na época do Natal (ainda que esse ano eu não o tenha feito...). Um é bem reduzido, de vidro e deve ter sido feito na China... O outro foi comprado no mercado de artesanato da Casa da Cultura, em Recife, e é de cerâmica colorida "a la Vitalino"...
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Uma coisa me ocorreu agora... lembrei que sempre associava "presépio" e "presepada/presepeiro"... Provavelmente, esses itens lexicais teem étimos distintos, mas na minha lógica infantil estavam muito próximos (ainda que eu não entendesse a razão!)...
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Será que a lógica de Lucinha faz sentido??
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Acabo de consultar o dicionário etimológico de A. G. Cunha... o étimo é mesmo o mesmo, para os dois itens...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A árvore!

Mais uma vez, desisti de tentar ir às compras hoje... Até havia combinado com Erick: iria ao shopping sem carro e ele me pegaria lá, quando estivesse voltando do estágio...
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Mas, quando penso em como é desagradável o clima das catedrais de consumo na sua data magna, preferi ficar em casa, ler um pouco, escrever outro pouco... e jogar FarmVille (essa é uma mania que tem me tomado tempo, recentemente... Depois falo dela... e de como me livrei dela!) ;-)
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Bem, voltando aos natais de minha infância, lembro de ajudarmos mamãe nas montagens das duas peças que, para mim, eram o Natal lá em casa...
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A árvore de Natal de mamãe era linda!! Muito delicada, feita de penas tingidas de verde escuro (acho que ela tinha dois estágios, mas não tenho clareza sobre isso...). Não lembro onde aquela coisa tão linda ficava guardada o ano inteiro, talvez fosse numa das estantes de papai, protegidas por aqueles grossos volumes de Revista Forense... Com certeza, era em um lugar que me era inacessível!
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As bolas, de aljôfar, muito frágeis, eram estocadas em uma lata azul enorme (era uma espécie de cubo de cerca de 60 cm de lado), bem velhinha... acho que a lata havia, um dia, contido biscoitos... tinha o formato aproximado das caixas de biscoitos Confiança que papai sempre nos levava...
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Cada bolinha (ou mesmo bolona!) era cuidadosamente protegida com papel de jornal, as maiores ficavam embaixo e as menores sobre elas... Era sempre uma alegria montarmos aquela árvores, desembrulhando com cuidado cada bola e, às vezes, lamentando que uma ou outras se houvesse quebrado...
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Quando encontrávamos uma bola quebrada, sabíamos que não haveria uma substituta à altura... Mamãe, vez por outra, comprava algumas bolas para repor as perdas, mas as novas nunca eram tão bonitas (com o passar dos anos, as novas já eram inquebráveis, uma heresia... bola de Natal há que ser frágil!!)... Nem vinham acompanhadas de uma história, como as que saíam da lata... É... muitas delas mereciam comentários de mamãe, antes de serem colocadas em seu devido lugar na árvore...
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Montar a árvore era um ritual gostoso e havia uma ordem certa para a colocação das bolas. Nossa árvore não costumava ter outros enfeites além das bolas... nada de laços ou festões... Lembro que um ano ela foi iluminada por lampadazinhas coloridas, mas acho que as luzes não eram uma regra...
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Se bem que eu lembro de ter ganho, sei lá de quem, um pequeno moinho de vento metálico, azul com a hélice rosa schoking... Pois esse moinhozinho virou peça de nossa árvore!! Eu ficava toda feliz por contribuir com algo meu para aquela beleza!!
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Ao montar a árvore, começávamos colocando as bolas maiores nos galhos inferiores (as mais simples, ficavam na parte menos visível e as mais rebuscadas ficavam bem na frente!). A distribuição das bolas obedecia sua variação de tamanho, ficando as pequeninas bem perto do topo, onde mamãe enfiava aquela linda ponteira!
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Acho que aquela árvore de Natal era muito antiga e que algumas daquelas bolas eram mais velhas do que eu! (talvez a maioria delas fosse...)
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Havia bolas simples, de tamanhos e cores variadas, mas havia outras trabalhadas... sextavadas, com gomos, com apliques de purpurina... As mais diferentes eram uma que tinham incrustações coloridas... Eram muito bonitas!! Aliás, a ponteira da nossa árvore era desse tipo!!
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Com "o progresso" aquela árvore tão linda, que foi tão importante na minha criancice, sumiu de minha vida... Quando Paulinho era pequeno, lembro que ela ainda era armada... eu mesma tomava a frente para a execução daquela prazerosa tarefa... A gente, pelo menos eu, sempre esperava com ansiedade o dia de montar a árvore... Quando e porque ela foi aposentada??!!
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Lembro que surgiram algumas modas e que mamãe quis aderir, pelo menos a uma delas... a do galho seco envolto em algodão... Aquela não era uma árvore de Natal, para mim!!
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Não sei onde foi parar a nossa árvore e seus enfeites... Não lembro de tê-los visto na casa de nenhum de meus irmãos... Ficou na minha saudade e na minha lembrança!




terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Comilança (pré-)natalina

Vésperas de Natal... Falta tempo e sobram festas!! Não vou à confraternização da Faculdade hoje... Pela manhã, fizemos o "amigo secreto do baixo clero" do nosso grupo de pesquisa, já saí de lá depois das 13:00h e soube que o pessoal que estava lá não vai ficar até a tarde... Como ainda terei a última aula de Pilates do ano hoje às 18:00h, também desisti de comparecer...
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Pois é... Eu gostaria muito de não ser exposta a tanta comilança no Natal... Não acho que confraternização tem que ter comida... Muito menos a quantidade e a variedade excessiva que acaba sendo oferecida nas festinhas de fim de ano... Parece que ninguém gosta de mim... que todos me querem ver gordona!! (ainda recebi de presente de amigo secreto uma enorme caixa de bombons de chocolate Ferrero Rocher... Como posso resistir a eles e continuar na minha incansável luta em busca dos 63 quilos??)
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Não lembro de haver, quando eu era pequena, toda essa (como diria minha amiga Elcinha) orgia gastronômica natalina...
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Lembro que papai comprava, talvez um mês antes do Natal, um peru vivo, na feira. O peru ficava lá em casa sendo especialmente tratado por mamãe, que o alimentava com milho para e, às vezes com um preparado cozido que lhe era "oferecido" goela abaixo... SE não me falha a memória, o procedimento era, não só para engordar o bichinho, como também para deixá-lo mais saudável...
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O peru, conforme minha lembrança, ficava amarrado com uma cordinha, pelo pé, em um cano que havia no meio do quintal lá de casa... era um cano com uma torneira, que era usada para ligar a mangueira e molhar as plantas... só não lembro é das tais plantas...
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Quer dizer, lembro de fruteiras, no quintal lá de casa... e dos pés de tomates que eu plantava... Tomates eram meu almoço predileto!! Sempre que podia, eu trocava o arroz-com-feijão por alguns (na época eu diria "algumas") tomates inchados... ou "de vez", como se fala aqui em Salvador...
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Lembro que papai ganhava (ou comprava e eu achava que ele ganhava??) cestas enormes de Natal... Era cesta mesmo, não era como umas modernas, que veem sem a cesta, não... Daquelas cestas, o que eu mais gostava era de uns biscoitos que vinhas em latas decoradas (acho que a marca era Duchen)... os biscoitos eram deliciosos, mas o que eu almejava mesmo era ficar com uma daquelas latas... Acho que nunca consegui... Mamãe tinha uma lata daquelas que eu achava linda! Era lá ela guardava coisinhas que lhe eram preciosas... Eu também queria construir o meu tesouro!!
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Pois é.. lembro daquelas cestonas, e lembro que vinham cheias de coisa que eu não gostava, como passas e uma latona de doce onde havia marmelada e "figada"... Eita docinhos ruins!! Eu preferia a goiabada...
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Mas essa também não era comum lá em casa... Os doces que costumávamos consumir era os feitos por mamãe... a goiabada "de corte" era comprada vez por outra, para ser derretida e servir de recheio para o bolo de rolo...
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Aí sim!! Esse eu adorava!! Mas não lembro se fazia parte do cardápio do Natal... Nessa época eu lembro que mamãe fazia um tal de "pudim Luiz Felipe" e um outro bolo tradicional por lá, o "bolo Souza Leão"...
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Eu gostava do Luiz Felipe, mas não do Souza Leão... A receita desse bolo é uma afronta a qualquer portador de uma taxa de colesterol maior que 100... Lembro que levava cerca de uma dúzia de gemas de ovos!! O bom é que sobravam claras para serem transformadas em suspiros!!
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Nos natais de minha infância, graças a Deus, ainda não nos haviam imposto (pelo menos no Nordeste, ou pelo menos lá em casa...) o consumo de panetones...
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Para mim, Natal tinha sabor, não só dos bolos que citei, como do peru, que era servido no almoço, pois não tínhamos Ceia e que não era desgostoso como os que encontro hoje; de passas, que mamãe adorava e eu tentei descobrir a razão mas nunca consegui; de queijo do reino, que eu era proibida de comer exatamente a parte bonita, que era aquela cobertura cor-de-rosa forte; de bombons Sonho de Valsa, que papai comprava para agradar à mamãe; e dos biscoitos amanteigados das latas bonitas...
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Definitivamente, eu não associava aquela festa diretamente a comidas... Aliás, os presentes também não eram o forte dos natais de lá de casa, quando eu era menina...
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O que mais me marcava eram a árvore e a "lapinha", mas sobre isso falo amanhã...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Carcará!! (o título foi colocado após a digitação...) ;-)

Será que ainda sei escrever aqui?? Será que eu já o soube algum dia??? O que sei mesmo é começar um tema e acabar em um outro... bem diverso do original.... Tomara que um dia eu aprenda a manter o foco, ao escrever e deixe de cair em digressões contínuas!! ;-)
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Bem, da última vez que postei algo aqui, estava em pleno processo seletivo para o Mestrado em Língua e Cultura da UFBA... era véspera do resultado da prova de língua estrangeira e eu nem imaginava que hoje voltaria como "selecionada"... ;-) Pois é... amanhã faço minha pré-matrícula e posso me considerar mestranda!
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Apesar de sempre ter gostado de ler e de estudar, nunca fui, exatamente, o que se considera uma aluna aplicada... Nunca tive uma meta bem definida e sempre fui dispersiva também nos estudos... Vou precisar mudar, ou não conseguirei cumprir os prazos do mestrado...
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Bem, mudar nunca foi um problema para mim... sempre me identifiquei com o Raulzito, ao cantar a Metamorfose Ambulante... ;-)
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Meus dias atuais teem sido de confraternizações natalinas e de preparativos para os 10 dias que passaremos com a família, em Recife e João Pessoa.
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Com isso, minhas lembranças aparecem e somem com uma velocidade não usual... mas posso curti-las, nem sei onde é o atual esconderijo delas... e já posso antever que me darão trabalho para recolhê-las espalhadas como a poeira que tem entrado pelas janelas aqui de casa vez por outra, devido a uma reforma no apartamento que fica diretamente sobre o nosso...
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É, morar em apartamento, principalmente em um condomínio onde "as torres" ficam tão próximas, traz contratempos que Lucinha jamais imaginaria enfrentar... ;-)

Por falar em enfrentamento e vizinhança, há uns dez dias tivemos por aqui um vizinho um tanto raro de se encontrar em plena zona urbana... um gavião... provavelmente, um carcará!

Eu só soube da chegada do vizinho pela TV... estava assistindo ao telejornal local, quando falaram do gavião que estaria assustando os moradores da Pituba... Como poucos dias antes havia sido capturado aqui perto de casa, um jacaré de 1,5m, achei que seria aqui por perto...

A imagem seguinte (a primeira foi do gavião no topo de um coqueiro, onde teria feito seu ninho) foi da parede de um prédio, muito parecida com a do nosso... logo após, apareceu uma das vítimas do gavião: um dos porteiros do nosso condomínio, que teve ferimentos no braço...

Nos três a cinco dias que se seguiram, pudemos assistir aos belos voos solitários da ave e ouvir seus piados que pareciam chamados... acho que o pobre carcará estava perdido... Há alguns dias ele não é visto ou ouvido por aqui, provavelmente o IBAMA conseguiu capturá-lo...

Espero que meu ex-vizinho, de quem fiquei fã - pela coragem, determinação e beleza - tenha sido relocado para um local onde possa ter uma vida digna!

Bem, esse meu retorno hoje foi apenas uma tentativa de retomar uma rotina (e para atender minha leitora mais assídua, minha sobrinha Aninha, a mãe do rei Lucas!).

Espero voltar amanhã, depois das três confraternizações às quais comparecerei!! ;-)







domingo, 29 de novembro de 2009

Véspera

Ando muito relapsa. Quase não tenho colado lembrancinhas neste meu álbum!!
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Hoje de manhã, enquanto eu esperava a hora de tomar meu café, respeitando os intervalos de cada remédio (que processo, viu!), eu assisti ao Saia Justa (programa do qual já gostei muito, mas que está insuportavelmente PSDBtizado, para meu gosto...). Em um dos blocos, as participantes do programa conversaram exatamente sobre as memória e seu processo criativo...
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Como elas, eu também tenho lembranças que são só minhas, pois foram criadas pela minha cabecinha, a partir de caquinhos de acontecimentos remotos. Outras pessoas, presentes aos mesmos acontecimentos, podem ter guardado em suas memórias imagens diferentes das minhas...
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Ontem fiz mais um passeio (turismo doméstico) com Cleide, Luzia e Márcia. Fomos ao Forte São Marcelo, lugar que eu sempre tive vontade de visitar! Fomos a tarde, para vermos o sol mergulhar livremente no mar, sem nenhum obstáculo que pudesse atrapalhar o percurso do mergulho...
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Foi um espetáculo lindo, como é o pôr-do-sol de cada dia... Lembrei muito de mamãe, que costumava assistir emocionada a descida diária do sol... e que sempre nos convidava a acompanhá-la naqueles momentos...
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Além do pôr-do-sol, aquele forte me lembra mamãe porque ela também o queria visitar, quando vinha aqui.
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Acho que ela gostava mesmo era do nome do lugar... mas não sei se gostaria de conhecer aquelas celas minúsculas, de pé-direito mínimo, sem ventilação nem iluminação alguma, onde eram "depositados" até mais 100 homens... Nesse aspecto, o local é deprimente!
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Na visita guiada ao museu do Forte, o guia teve uma crise de riso que quase não consegue conter. No meio das explicações que nos dava sobre o funcionamento do forte, das armas, da prisão... o garoto começou a rir... algumas vezes ele teve que retomar a explicação do começo, para poder continuar... Foi engraçado, mas ao mesmo tempo constrangedor, porque eu achava que ela ria de mim, enquanto outras pessoas pensavam que era delas... ;-)
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Outra coisa que me fez lembrar muito mamãe, hoje de manhã, foi o canto dos bem-te-vis. Apesar de morar em uma região muito urbana, como já comentei algumas vezes aqui, tenho uma vizinhança bastante ecológica e hoje os pássaros, que costumam fazer concertos ao amanhecer, cantaram até próximos ao meio-dia.
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Apesar do passarinho do qual mamãe falava sempre ser o vem-vem, ao qual ela dizia pedir que chamassem quem ela queria por perto (ela dizia que pedia por papai, quando era noiva e depois, quando meus irmãos maiores já moravam fora de casa, ela pedia por eles, quando a saudade apertava); era o bem-te-vi que eu achava com um canto mais adequado a um chamado...
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Hoje eu estou completamente sem inspiração para escrever, o que fiz aqui foi uma tentativa, já que também não estou com disposição para outras atividades mais produtivas (acho que estou em "crise pré-resultado da prova de língua estrangeira"... ;-) O resultado sai amanhã...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Saindo do forno

Hoje eu acordei às três horas da madrugada. Minhas vias aéreas estavam totalmente obstruídas e eu não conseguia respirar (isto é, estava de nariz entupido!).
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Não lembro de ter passado por situações desse tipo quando era pequena, acho que estou virando uma idosa alérgica! ;-)
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Depois de tentar encontrar alguma posição na cama que me permitisse respirar, e por conseguinte, dormir, levantei e fui deitar na rede, onde, na verdade não fico deitada, mas recostada... só assim consegui minha reconciliação com o sono... Resultado: estou muito cansada e sinto meu rosto inchado.
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Quando eu era menina, não ouvia falar em alergia. Nem lembro, na verdade, quando essa palavra entrou em minha vida... só sei que parece que veio para ficar!
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Na verdade, talvez já fosse devido a reações alérgicas a picadas de insetos que eu ficasse, quando pirralha, com as pernas cobertas de feridas ("perebas"... acho que já falei sobre isso aqui...). Parece que eu era a única lá em casa e ser perebenta... os meninos não tinham o mesmo problema.
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Bem, aqui em casa não sou a única a penar com alergia respiratória, ainda que Erick proteste, dizendo que não é alérgico... ;-)
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Só espero mesmo que essa minha crise alérgica não seja devida à memória empoeiradas... Tenho procurado, dentro do possível, manter meu saquinho de memórias em ambiente arejado e exposto á luz solar!!
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Por falar em luz, e voltando às perebas, lembrei de uma época em que Fernando também teve umas perebas bem feias... mas as deles foram das que precisam de médico...
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O que ficou registrado na minha memória, foi que ele pegou verme de cachorro, porque brincou em um monte de "areia de construção" que havia em frente à casa de nossa vizinha Dona Ondina...
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Lembro que ele teve até que tomar "banho de luz" no consultório de Dr, João Medeiros... eu, sei lá porque, ia acompanhando, quando ele ia para o tratamento e ficava morrendo de inveja porque não podia ficar sob aquelas lâmpadas coloridas de verde ou vermelho... Vai ver aqueles banhos luminosos não curavam minha "mijonite aguda"... ou talvez até a tivessem curado, se fosse tentado o tratamento... Lembro vez por outra, lá em casa, alguém precisava daqueles banhos... ;-)
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De minha parte, lembro que, muitos e muitos anos depois, quando eu já parira e já lutava contra a barriguinha que viera para ficar, fui fazer um "tratamento" com massagem e forno, para redução de medidas...
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O "tratamento" era uma verdadeira tortura... Eu, de biquine, deitava sobre uma maca e ficava sob "os cuidados" (ou os apertões) de duas mulheres que enchiam suas mãos com minha barriga e cintura e amassavam até as lágrimas me correrem pela face...
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Depois, eu era levada para outra sala, lambuzada com uma substância estranha e enrolada em filme plástico... então, me deitavam (eu ficava impossibilitada de qualquer movimento, parecia uma múmia plastificada!) em uma outra maca, me cobriam com um cobertor grosso e colocavam um "forno" sobre minha barriga... Só que o tal forno que me aplicavam, tinha o côncavo recoberto de lâmpadas incandescentes!! Gente, aquilo era muito quente!! (além de perigoso, pois duvido que fosse protegido contra choques...)
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Bem, o tratamento que eu contratei, seria de 15 sessões, das quais eu paguei 8 no início e pagaria as demais no dia da nona... Mas antes disso eu me descobri cheia de hematomas, que doíam muito, provocados pelos apertões das "massagistas" e caí fora de lá...
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Antes de sair, no entanto, ainda tive oportunidade de experimentar a variação de forno que era a preferida de minhas "colegas de tratamento"... O tal forno que elas preferiam era fixo e muito maior que o outro... ao invés de ser colocado sobre a barriga da pessoa, éramos "enfiadas" nele , dos pés ao tórax... Um horror!!