domingo, 30 de agosto de 2009

POLUIÇÃO E POODLES

28/08/09

Dia de encontrar as amigas das Lourdinas!! Fomos almoçar juntas em um restaurante muito aconchegante e que serve uma comida, italiana, muito saborosa. O dono é filho de uma de minhas amigas e recém-chegado da Itália. Tudo no Mediterrâneo, esse é o nome do lugar, é caprichado, dá gosto frequentá-lo e eu devo voltar lá qualquer dia!

Nosso grupo hoje era bem reduzido, apenas seis jovens nascidas em 1951, das seis, apenas uma ainda não se aposentou,mas nenhuma está naquela fase de ociosidade plena... Também apenas uma, outra, se mantém no primeiro casamento...

Passamos uma tarde muito agradável, o papo rolou fácil e não houve assunto que não tenha sido abordado. Claro, houve um vasto registro fotográfico, ao qual terei acesso em breve (e, provavelmente, incluirei alguma foto aqui).

Antes do almoço, quando o sol ainda me tratava como amiga, fui fazer minha caminhada de todo dia...

Até estranhei, mas hoje encontrei bastante sargaço na beira-mar... Os outros itens, cuja falta já registrei aqui, continuaram ausentes, mas havia sargaço fresco ao longo do meu caminho e havia também uma larga faixa escura para ser atravessada pelos que quisessem entrar no mar para um banho... Nessa faixa, não havia só sargaço... vi sacos plásticos, frascos de protetor solar, garrafas de refrigerante, e outros produtos não identificados, em meio às algas...

Particularmente, eu dispenso banho de mar que exige aquele tipo de travessia... além disso, a água do mar estava ainda mais “barrenta”, devido ao préamar... Para completar a pouca atração que a praia exerceu sobre mim hoje, havia muita gente lavando seus cachorrinhos para seus banhos de mar...

Que me desculpem os donos dos lindos poodles que saltitam alegremente nas praias por aqui, mas eu acho muito pouco apropriado o costume de ser levar cachorros para disputarem espaço com banhistas... E não são só cachorrinhos de pequeno porte... hoje vi uma garota que conduzia um fila e um outro cachorro mal-encarado como companheiros de caminhada à beira-mar. Claro que mudei meu percurso, evitando um cruzamento que pudesse gerar qualquer estranhamento deles para com minha pessoa, que, segundo me disseram, exala um odor irritante para os caninos...

E por falar em poodles, quando eu era pequena só conhecia esse tipo de cachorros em desenho... Era o cãozinho da mulher de Pafúncio... Um cachorrinho que ia ao salão, que era tosquiado de um modo estranho e meio ridículo...

Fala-se muito em animais em extinção, mas também existe outro tipo de animais que merecem ser observados: esses cãezinhos que não sequer sabem que não são humanos e que devem preferir reproduzir em cativeiro (melhor ainda se for em minúsculos apartamentos!), pois é impressionante a proliferação da raça!!

NA AREIA SECA

27/08/09

De novo pisando a areia fina e molhada que já foi sorvete de ameixa, massa de brigadeiro, cobertura de bolo e mesmo, talvez de modo muito mais frequente, matéria-prima para construção de castelos sobre as barragens do “açudes” que construíamos à beira-mar...

Os melhores açudes eram os que eram cavados com a ajuda dos adultos, dos homens, de preferência... e mais especialmente, de meu pai! Papai tinha mãos enormes e conseguia ser rápido o suficiente para reforçar as barragens antes que viessem aquelas ondas traiçoeiras que “arrombavam” nossos açudes...

O engraçado é que mesmo no tempo das piscinas, continuamos cavando açudes para as nossas crianças... somos mesmo megalomaníacos!! ;-)

Hoje “deu praia” para mim!! Como a maré estava bem mais alta do que na segunda-feira, alternei minha caminhada entre a areia molhada e a seca... Mas não é fácil andar naquela areia seca e fofa... O caminhar fica muito pesado!!

Quando eu era pirralha, não sentia que fosse tão difícil caminhar na areia seca... Claro que a velocidade com que fazíamos nossos passeios ali era bem diferente da que costumo imprimir às minhas caminhadas atuais, que funcionam como exercícios aeróbicos... Sem falar no peso que hoje carrego, que deve ser, no mínimo, quatro vezes meu peso de menina... (acreditem: eu era magricela!)

Aqui em Tambaú, a faixa de areia que fica mais afastada da água e que, em geral, fica seca, é recoberta por uma vegetação rasteira. Uma dessas plantas, que cresce em rama, tem uma semente marrom muito bonita que nós costumávamos catar para usar como “bois” nos jogos de sueca (que eu nunca soube jogar direito, portanto sempre fui excluída de sua mesa...) ou vísporas.

O que eu mais gostava, quando andava na “areia frouxa” era sair pisando de modo a fazer a areia cantar sob os meus pés... Quando Erick era pequeno, tentei mostrar como eu fazia, mas a areia de hoje é tão suja que se recusou a catar... Já o que eu não gostava era de quando o vento levantava a areia provocando uma “chuva” que açoitava sem piedade minhas canelas finas... Essas chuvas de areia eu também não vejo acontecer nos dias atuais...

Eu lembro de uma vez ter visto uma casa de veraneio semi-enterrada na areia fina, que chegava à altura das janelas... Essa movimentação de areia acontecia exatamente nos meses de chuva, quando sempre venta muito por aqui.

Bem, minha caminhada foi bem mais breve do que a da segunda-feira, mas já deu para eu adquirir um leve bronzeado. Fazia muito tempo que eu não sabia o que era isso!!

À noite teve reunião da comissão organizadora da festa do centenário... Dessa vez eu participei! Me foram passadas uma tarefas, mas todas bem simples. Minhas sobrinhas, que estão á frente de tudo, esbanjam competência e já está quase tudo pronto. Além disso, eu nada entendo de missas e é exatamente a missa que será o ponto alto da comemoração...

Acho que já falei que meu pai nunca foi muito de frequentar missas... Depois da morte de mamãe, ele assistia missas pela TV, não sei se com regularidade...

Eu me pergunto se um dia também eu adquirirei esse hábito tão comum na minha família e que tem sido um dos pontos de divergência entre nós...

A missa de papai será exatamente na capela das Lourdinas, colégio onde estudei do primeiro ao terceiro ano do ginásio e que exerceu papel fundamental no meu distanciamento da religião que mamãe tanto gostaria que eu seguisse...

MEU CADERNINHO

26/08/09

Amanheci sem espirrar!! Abri o olho e fiquei imóvel... sem acreditar que voltara a meu estado normal e, ao mesmo tempo, com medo de que meu nariz houvesse se tornado um viciado e me surpreendesse com suas violentas, e detestáveis, explosões, caso eu ousasse mudar de posição.

Lentamente, criei coragem e pulei da cama! O céu estava claro e limpo. Tratei logo de vestir meu biquini, pois não pretendo levar em minha bagagem (ou melhor, em minha pele!) de volta a cor amarela ridícula que trouxesse para cá!

Depois do café, ao invés de ir direto para a praia, fui procurar uma farmácia aqui por perto, resolvi reforçar meu sistema imunológico, pois não dá para ficar aqui evitando as pessoas por estar com rinite alérgica ou coisa que o valha!

Bem, já voltei para casa debaixo de grossos pingos de chuva... minha prainha vai ter que esperar... ;-(

Sônia me ligou para saber se eu iria mesmo para o show com ela e eu confirmei. À tardinha, ela passou aqui e fomos juntas para o shopping onde acontece o Projeto Seis e Meia (acho que lá em Salvador não tem mais esse projeto... eu gostava quando tinha!).

A cantora local que fez a abertura do show nos agradou bastante (além da companhia de Sônia, eu estava com Celina e Carmem). Ela cantava, principalmente, fados...

Aquelas músicas me levaram ao tempo em que eu sentia vergonha de gostar do que meus pais gostavam e obrigada e dizer que eram feias... Glória,a cantora, disse que podíamos cantar com ela... eu soltei minha voz sem pena dos vizinhos, cujas cadeiras estavam muito coladas à minha, pois o espaço não é próprio para shows. É uma área livre do shopping onde eles improvisam uma plateia com cadeiras de plástico...

O repertório de Glória é bastante variado. Depois dos fados (alguns que eu conheci na voz de Amélia Rodrigues, outros na de Francisco José), ela cantou de boleros até rock-baladas... Eu comentei com Sônia que parecia que havia sido com ele que eu deixara meu caderno de músicas...

Esse caderno Sônia conheceu bem e pôde lembrar dele imediatamente! Mesmo em 1967, quando eu o iniciei, ele já era um caderno meio antigo... Não era de espiral, mas grampeado. Era vendido na livraria do MEC (existia isso!) e tinha ótima qualidade, mas nenhuma beleza adicional. Eu forrara a capa sem graça com um “papel de presente” azul com enormes rosas vermelhas e recobrira com plástico para proteger tamanha beleza...

Nele eu copiava as letras de todas as músicas que eu ouvia no rádio e na TV e que adorava cantar... Algumas das músicas foram escritas ali por Sônia e, se não me falha a memória, por Rubens. Organizei ali as letras da trilha sonora (nacional) da minha adolescência... Acho que não escapou uma só música da Jovem Guarda, de Chico Buarque, de Nara Leão, de Elis, de Edu Lobo. de Geraldo Vandré...

Gostaria de encontrar meu caderninho de novo... bem como outras relíquias da época, como a flâmula comemorativa da minha conclusão do ginásio, cuja foto (na realidade, a foto da de Sônia...) quando eu voltar para casa, será incluída aqui à guisa de ilustração, já que não disponho de foto do caderno azul de rosas vermelhas... (eu juro que a capa não era feia!!)

DIA CINZENTO

25/08/09


Um dia inteiro de chuva... Muito vento lá fora... Aqui, muitos espirros! Eu pretendia voltar à praia, mas, ao invés disso, fiquei em casa espirrando... Dá para imaginar o hábito de se aspirar rapé para provocar espirros? Como pode alguém gostar de espirrar?

Bem, eu não gosto! Além disso, nos tempos virais em que vivemos atualmente, é difícil não me sentir culpada, a cada espirro que não consigo deter e que escapa disfarçado de explosivo! Eu sei que não estou gripada, mas isso não basta... eu preciso não parecer gripada!!

Aproveitei o dia para terminar a leitura do livro de crônicas de Martha Medeiros, que emprestarei a Thayana. Foi a melhor forma que eu teria para passar esse dia que se arrastou por umas 240 horas!!

Além da leitura, aproveitei para fazer contatos telefônicos. Liguei para minha amiga Sônia, que logo propôs que fôssemos a um show de Ângela Maria no dia seguinte. Claro que eu topei, esperando, até lá, parar com minhas séries de até 30 espirros!!

Eu sentia o rosto inchado, de tanto espirrar!

Também liguei para Gracinha, com quem eu já começara a combinar um almoço (no restaurante do filho dela), ainda de Salvador. É, eu preciso encontrar essas meninas que também fazem parte de uma fase de minha vida que busco resgatar...

O contato com Sônia eu nunca perdi. Somos amigas há 43 anos, dá pra imaginar uma amizade tão antiga? ;-)

Aqui em João Pessoa eu tenho algumas amizades quarentonas... Espero encontrá-las todas, nesses próximos dias! os últimos anos, tenho conseguido reunir um pequeno grupo, cada vez que apareço por aqui.

É um grupo com o qual estudei no Lyceu Paraibano, nos anos de 1967-8. Quando nos encontramos, apesar de nossas barriguinhas um tanto salientes virem acompanhadas de carequinhas ou cabelos tingidos, sempre acabamos a noite (que em geral vara a madrugada, coisa que seria impossível na época em que nos conhecemos) mais leves e bem mais jovens... Preciso mesmo vir beber nessa fonte de juventude vez por outra!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PASSEANDO À BEIRA-MAR

24/08/09

Meu primeiro dia realmente em João Pessoa, desde que aqui cheguei a madrugada de sábado...

A noite foi comprida, o sono entrecortado por momentos em que acordei assustada para ver se não havia perdido a hora da viagem de Erick, que voltou para casa hoje, às 5 da matina... Enfim, deu tudo certo: não perdemos a hora de levantar e o táxi dele foi mais pontual do que nós mesmos... Até receber a ligação dele, dizendo que já estava em Salvador, pouco dormi...

Levantei da cama às 8 horas, muito tarde para a rotina aqui da casa de Maria Sônia... Mas pretendo não fazer mais isso!!

O dia estava bonito, o sol me convidou à praia, afinal, é só atravessar “a pista”, para estar à beira-mar... Foi o que fiz depois do café – um passeio à beira-mar, encerrado por um mergulho em águas tão conhecidas que às vezes até me confundem...
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Beira-mar, areia fina e molhada, ondas lambendo meus pés, o Cabo Branco ao longe, mas se aproximando pouco a pouco... Claro que minhas lembranças apareceriam ali!

Havia muita gente caminhando na praia como eu. Só que talvez ninguém sentisse a falta do sargaço espalhado na areia... onde teria ido parar? Não encontrei sequer um pequeno “cachinho de uvas”, umas mechas de “cabelos-de-iara”, uma porção de “baba-de-moça”, uma “laranjinha”, um “lápis”... (era assim que nomeávamos algumas das algas que encontrávamos espalhadas à beira-mar na minha infância...)

Quando eu era menina e fazia longos passeios pela beira-mar com minha mãe e irmãos (não lembro de ter tido a companhia de meu pai em nenhum desses passeios...), geralmente a areia estava coberta por um verdadeiro tapete de sargaços coloridos (alguns me causavam repulsa por sempre “babentos”...). Além da beleza das cores, o tal tapete emprestava ao ambiente um odor bastante característico... Eu gostava do cheiro do sargaço novinho, recém-chegado à praia, mas quando o sol secava aquelas algas ali na areia, elas passavam a exalar um odor que me deixava enjoada!

Além da falta do sargaço, senti também a falta de pedras calcáreas, algumas delas apareciam recobertas por sargaços... E não pude encontrar sequer um búzio, um “tinteiro”... Também não vi conchinhas espalhadas pela areia... Cadê aquelas lindas conchinhas cor-de-rosa com as quais Maria Sônia era capaz de fazer lindos colares? E os “chapeuzinhos-de-chinês”, dos quais eu tanto gostava? E as “conchinhas-borboletas”? Nem mesmo as mais vulgares, as “rajadinhas” pude ver por aqui hoje... O que dizer daquelas conchas brancas grandes, sobre as quais Maria Sônia e Marcelo pintavam paisagens e eu achava uma maravilha (eu e mamãe!)... será que, ao longo desses 50 anos, foram todas elas “catadas” pelas criancinhas que passearam por aqui?

Sendo agosto, eu esperava encontrar “caravelas”... Sempre fui atraídas pelas caravelas... ao mesmo tempo que me metiam medo (principalmente depois que tive o corpo “laçado” por uma), eu as achava lindas demais!! Frequentemente eu vencia o medo das queimaduras e segurava uma, com todo cuidado, entre o polegar e o indicador, só para poder vê-la mais de perto e curtir sua beleza... sua transparência cor-de-rosa forte, seu “nariz” e sua “costura” de um rosa tão intendo quase vermelho e seus lindos raios roxos, meio azulados... Não encontrei caravela alguma na beira-mar, sequer uma daquelas “filhotinhas” traiçoeiras que das “mães” só herdaram a periculosidade, pois parecem minúsculas bolhas incolores (e sem graça) mas possuem imensos e terríveis raios azuis... Foi uma dessas que me vitimou, quando eu tinha cerca de nove anos... Delas, sempre tive medo!

Também não vi nenhuma “lua” ou estrela-do-mar... nem à beira-mar nem quando entrei para o mergulho nas águas esverdeadas e turvas do mar de Tambaú...

É, o mar daqui não é exatamente o mais bonito do mundo... é um “mar aberto”, de águas bastante revoltas, que, misturadas à areia fina, estão sempre meio amarronzadas, talvez as correntes marinhas e a distância dos recifes à praia também interferam nessa cor do nosso mar, que nem por isso deixa de me fazer convites irresistíveis... eu adoro ser envolvida em suas águas mornas!

THE DAY AFTER

23/08/09

Domingo... volta pra casa... de Maria Sônia...

Depois de tanta festa e de tanta alegria, voltamos para casa com Paulo contundido... Ele sentia fortes dores e chegou em João Pessoa direto para o hospital...

Além dele, Sóstenes também estava hospitalizado, apesar de nem ter ido á festa... Ainda em Campina Grande, soubemos que ele caíra em casa à noite e quebrara o fêmur. Estava no hospital, aguardando para ser operado no dia seguinte. Parece que um dos problemas mais comuns aos idosos de nossa família é mesmo a osteoporose. Não sei se Sóstenes sofre desse mal, mas suspeito que sim, pois quebrou o fêmur a partir de uma quedinha boba.

Como pretendo estar presente à comemoração do meu primeiro centenário ( e do segundo, quem sabe?), não posso esquecer de tomar meu alendronato de sódio, ainda que seja um remédio de uso tão inconveniente... Tudo por ossos mais fortes!!

Aliás, minha festa de cem anos, decididamente, será uma comemoração restrita aos mais íntimos... quero que estejam comigo os que conhecem, ou que pelo menos não se escandalize, com os meus “porquês”, os meus “por quê?”, os meus “poréns”, os meus “emboras”... os que entendem que eu preciso de espaço para respirar... os que aceitam numa boa que eu nunca seja a mesma, já que sou “uma metamorfose ambulante”, como explicou o Raul Seixas...

Gostaria de ter os “seguidores” deste blog comigo na festa!

FORMATURA DE THACIANA

22/08/09

Foi para participar do principal rito de passagem à vida adulta de minha linda sobrinha-afilhada que vim para João Pessoa quinze dias antes da confraternização que ocorrerá para marcar a passagem do centenário de nascimento de meu pai.

Thaciana é uma menina muito linda e muito inteligente. Como é filha de Paulo, que é um pouco meu filho, sinto que ela, além de ser minha sobrinha e afilhada, também é um pouco minha neta!

O baile de formatura de uma neta é mesmo uma ocasião especial, espero não perder nenhum! Ano que vem tem o de Thayana e no futuro, espero, os das filhas de Erick! (mas por esses eu esperarei numa boa, não tenho pressa alguma!) ;-)

A festa foi em Campina Grande, cidade onde eu nasci, mas que continuo sem conhecer...

O baile foi muito bonito e alegre. Pena que não tiramos, eu e Erick, nenhuma foto com ela, que estava mesmo linda (não é “corujice”, não!)... Mas é isso, acho que a festa era dela e ela tinha mesmo era que curtir, ao invés de ficar “posando” com os convidados...

A apresentação de cada formando foi acompanhada de músicas-tema e coreografias individuais... Thaciana (agora com corujice assumida!) “fechou”!! Ao ser chamada, apareceu de óculos escuros e ao som de uma música que me pareceu ser Pretty Women (há controvérsias sobre que música era, vou perguntar a ela!) ela lançou um olhar sedutor para o apresentador, por sobre os óculos. Em seguida, começou a tocar Garota Papo-Firme, que ela dublou com uma interpretação muito legal.

Ela vinha de palco para o salão, onde seus pais a esperavam emocionados... o pai, que já havia “tomado todas” dançava mais do que qualquer pessoa presente à festa (acho que foi o pai mais animado de todos ali...). Imagino como ele estava emocionado, pois meus próprios olhos encheram-se de lágrimas várias vezes.

É isso, Thaciana não é mais apenas a menininha de Paulo... Nem é só minha sobrinha-afilhada-neta... também é minha colega engenheira eletricista... Espero que ela goste bastante de tudo que venha a fazer nesse ramo do qual eu desisti antes mesmo de nele me iniciar...

No meu caso, como eu sempre falo para os meus colegas, acho que o destino me fez estudar Engenharia para que eu conhecesse aquela turma que me proporcionou amizades que duram até hoje. Em dezembro, comemoraremos os 35 anos de formatura da última turma da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (que depois virou Centro Tecnológico, ou coisa que o valha...) e eu estarei “colada” na comemoração, que torço para que seja tão festiva quanto foi a dos 30...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Dando um tempo...

... se der, escrevo de Jampa... se não der, continuo meu vício em setembro!!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Volta às aulas!

Amanhã recomeçam minhas aulas. Vou cursar mais uma disciplina como aluna especial do Mestrado em Língua e Cultura, da UFBA. Ainda não estou certa se prestarei o exame de seleção para cursar o Mestrado a partir do próximo semestre... na verdade, não me preparei para o exame, como deveria ter feito, e como pretendia mesmo fazer... Ainda não preparei meu ante-projeto nem comecei a ler os livros que são recomendados...
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A véspera do início das aulas, quando eu era menina, era um dia de muita expectaviva. Isto é... quando eu era menina e estudava em colégio (ou escola) que tinha farda (é assim que a gente chamava o uniforme escolar... e como ainda se chama, aqui no Nordeste... o pessoal do Sudeste estranha...), pois quando era em "escola particular" nem lembro como era... nelas, o que me marcou mesmo foi o convívio com alunos mais "adiantados" e com os menores, que eram mais "atrasados"... além dos castigos que eram impingidos a quem desobedecesse, ou errasse "a lição"...
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Quando fui estudar nas Lourdinas de Recife, lembro que deram a papai uma lista de materiais escolares que eu devia levar para o colégio... Acho que ele comprou tudo lá mesmo, às freiras... Pela primeira vez, tive um "caderno de borrão"... era um bloco sem pautas e de um parte meio pardo, parecido com papel de jornal... Eu não gostava de escrever naquilo!
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Como sempre imprimi muita força contra o papel ao escrever, o "borrão" ficava todo fofo, ondulado, feio... e quando eu precisava apagar, que sufoco! Às vezes eu acabava rasgando o papel, ao tentar apagar o que não só escrevera, mas marcara de forma indelével, no papel jornal...
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As freiras não nos deixavam copiar os deveres que faríamos em casa diretamente no caderno. Tínhamos que copiar no rascunho, e só depois, em casa, passar a limpo no caderno, cuidando de fazer uma letra caprichada... a minha nunca chegou a ser bonita, por mais que eu caprichasse e por muito mais que eu tivesse praticado cafigrafia naqueles caderninhos clássicos que ainda eram usados na década de 50...
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Minha farda era igualzinha à das Lourdinas de João Pessoa (o colégio dos meus sonhos de primeira infância!). Uma sainha de "tropical" azul-marinho, com pregas de 3 cm ao redor da cintura, mas com uma "prega-macho" de 6 cm na frente... Próximo à barra (acho que a 10 cm) havia um conjunto de três listas (nada a ver com a Adidas!! Acho que eles imitaram a farda das Lourdinas!!) feitas de um viés azul "natié". Além disso, a saia tinha suspensórios, que eu adorava!! Na foto, estou usando minha farda, pena que ela não aparece... ;-)
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A blusa era de "tricoline" ou cambraia branca e a manga era levemente bufante. Nas Lourdinas, entre 9 e 10 anos, eu não era obrigada a usar "corpinho" sob a blusa...
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Os sapatos era Vulcabrás femininos pretos e as meias brancas.
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Eu adorei minha farda... lembro que quando mamãe terminou de fazer minha sainha, alinhavou bem as pregas e colocou embaixo do colchão de molas de minha cama... (um perigo... a sainha poderia ser molhada!! mas não foi...)
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Fiquei toda contente quando chegou o dia de tirar a saia do colchão, vesti-la e ir para aquele colégio bonito, com um jardinzinho cheio de roseiras e uma imagem de Nossa Senhora no meio das rosas perfumadas... Naquele jardim também havia uma pequena fonte, se não me falha a memória... (claro, pode ser fruto de minha memória criativa, mas a fonte apareceu na imagem que me veio do jardim, que ficou mais bonito com ela!!)
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Quando chegaram as férias, eu mesma alinhavei as pregas da sainha, que voltou para a prensa do colchão...
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Acho que o processo se repetiu até minha quarta-série ginasial, já no Lyceu Paraibano... No primeiro ano do "científico", minha saia era de "nycron". Era uma saia bem mais moderna, com um corte ajustado ao corpo e com apenas quatro "pregas-macho", duas na frente e duas atrás...
Provavelmente, essa saia não dormiu sob o colchão...
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Além de curtir a farda, eu gostava de ler os livros novos... sentir seu cheirinho de papel e cola... encapá-los com papel-madeira e pôr o nome bem bonito nessa capa (eu tentava, mas não saía lá muito bonito, não!)... apontar os lápis-de-cor... enfim, me familiarizar com tudo aquilo que me acompanharia por todo o ano...
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Hoje, só cuido de colocar o celular para despertar mais cedo, pois se chegar depois das oito (apesar de minha aula começar apenas às nove), não encontrarei vaga no estacionamento interno do campus e terei que enfrentar lama para chegar até o Instituto de Letras...
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Bem, colocar o celular para despertar mais cedo exige também que eu vá dormir mais cedo!! Boa noite!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Festejando

A formatura de Thaciana está chegando e eu não sei o que vou usar!!
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Quando comprei o meu vestido de formatura, até pensei que poderia usá-lo também na de minha sobrinha-afilhada... (sou econômica e prática... me considero uma boa aluna de meu pai!!) ;-) Mas isso não vai ser possível... eu seria barrada na entrada da festa, pois a turma dela também escolheu o roxo como cor oficial dos formandos...
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Antigamente era mais simples... não se contratavam empresas para cuidar do cerimonial e as pessoas ficavam mais livres... Hoje, pelo menios por aqui, as festas são padronizadas: formatura tem seu roteiro, casamento também tem, 15 anos deve ter mas faz tempo que não frequento esse tipo de festas...
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Quando me formei em Engenharia, optei por não participar do baile. Em 1974 eu queria mesmo era transgredir e protestar! Participei da Colação de Grau, que foi no ginásio do Sport (meu time! É... foi em Recife, sim! Estudei na UFPE). Apenas meu pai, que foi meu padrinho, e Paulinho, foram à minha colação. Na época, Martinho estava hospitalizado e mamãe não pôde ir.
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O vestido lindo que aparece por baixo da beca (uma beca muito mais legal do que a que usei esse ano e que quuase me mata de calor!!) foi feito por mim!! É... na época eu costurava quase todas as minhas roupas... inclusive os biquines... até costurei um para minha amiga Sônia também!
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Mas, juntamente com um grupo muito seleto (acho que éramos 15, de 200...) fui para a AABB na noite do baile (que deve ter sido no Internacional, não lembro.. afinal, não participei!!). Comemoramos à nossa moda, sem pompa, mas com festa e alegria!
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Há 10 anos, quando comemoramos nossos 25 anos, aderi à comemoração organizada (muit bem, por sinal!) pela mesma comissão de formatura que organizou tudo em 74... Foi uma festa típica de quem se formou como eles se formaram, mas acho que àquela altura era exatamente o que eu queria!! A festa foi muito legal. Olha só a cara de felicidade "das meninas"!! ;-) (eu estou meio irreconhecível... com esse "cabelão"!! Estava na minha fase de dependente de escova... fase definitivamente encerrada!!)
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Bem, se essa festa foi legal, a que aconteceu cinco anos depois, nos nossos 30 anos de formados, foi ainda melhor!! Aliás, acho que foi a melhor festa de minha vida!! (e sempre organizada por Jurani, meu colega que devia me odiar, quando eu era contra todas as ideias dele... mas isso foi na década de 70... hoje sou grande apoiadora dele, que me abraça, na foto!!)
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Estou esperando a festa desse ano... temos que comemorar os 35!!
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Bem, mas hoje eu tenho mesmo é que pensar no que irá na minha mala e que vou vestir para ir à festa de Thaciana, que será em Campina Grande, no sábado à noite, o que significa decidir não na hora de vestir, mas na hora de fazer a mala!! ;-(
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Como eu abandonei um pouco a esteira, voltei a engordar... e não estou nada satisfeita com isso, amanhã provarei minhas roupas, para ver se alguma está servindo... Com certeza escolherei algo bastante confortável... bem diferente do que foi no baile de formatura de Marcelo... aquele foi meu primeiro baile...
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Foi uma festa muito chata!! Só tinha "gente velha" (pelo menos para quem tinha minha idade) e eu estava com um penteado super-hiper-mega ridículo... e calçava uns sapatos de salto... não era exatamente salto-alto, mas para mim, que até hoje não costumo usar salto, era terrível me equilibar em cima daqueles "pitocos"!! Fiquei com sono, fui motivo de gracejos... tive que "dançar" (eu não sabia!!) com uns caras "velhos" que tinha lá... E o pior é que os outros estavam gostando da festa... Eu tinha 14 anos, jurei que o primeiro também seria o último baile de formatura que eu iria... e realmente, só voltei a frequentar aquelas festas quando já estava na Universidade... e ia com meus amigos!!
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Festa boa é assim... com gente que a gente gosta!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lembrança cinzenta, áspera, sem brilho...

Como minhas lembranças atualmente tomaram forma de miçangas, posso selecioná-las por tamanho, cor, formato, material, brilho...
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Tem umas que são tão lindas que até ofuscam. Essas são transparentes e brilhantes. São de vidro (tenho que ter cuidado para não se quebrarem!) colorido e são muito fáceis de serem usadas... combinam com tudo!
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Outras existem, que não são tão preciosas nem tão bonitas, mas, dependendo de como são usadas, se tornam muito vistosas e podem agradar à vista.
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Minha lembrança do tempo em que vivi afastada de minhas sobrinhas queridas não é nada bonita, mas tem reflexos encantadores!
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No entanto, tenho, pelo menos, uma "peça" que só serve mesmo para valorizar infinitamente qualquer que seja posta ao seu lado!
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Pois foi exatamente essa lembrança que me veio à mente, quando ouvi a história do "médico-monstro", que estuprava as paciente...
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Não! eu nunca conheci nenhum médico da espécie dele nem nunca fui estuprada!
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Minha lembrança é de um dentista que se aproveitava das meninas que sentavam na sua cadeira... não sei se ele tentava algo mais avançado além de "toques letárgicos" (lembro que ouvi comentários lá em casa sobre o assunto... eu era muito pequena e não fazia a menor ideia do que isso poderia ser...)... Ouvi falar que o tal dentista praticava hipnotismo para substituir a anestesia... Mas também ouvi falar que ele tomara uma surra dos irmãos de uma paciente na qual ele teria aplicado tal método...
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Eu sei que nunca simpatizei com o cara (como toda família tem de tudo, esse tal cara era primo de meus pais...) e devo a ele boa parte do meu medo de dentistas (que não tenho mais, diga-se de passagem!!)... claro que outra parcela desse medo veio daquele tratamento de canal precoce...
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Bem, era a esse dentista que eu era encaminhada quando menina... Como mamãe ficava sempre na sala conosco, acho que eu não um grande risco, mas lembro da última vez em que sentei naquela cadeira: eu tinha 17 anos e estava só, ele reclinou a cadeira até que eu ficasse completamente deitada, apoiou o braço sobre meu corpo e começou a mexer em minha boca com movimentos que me incomodaram, pois o braço dele roçava meus seios...
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Quando ele se virou para pegar algo numa mesinha de apoio, eu pulei dali e saí correndo pra casa! Nunca mais coloquei os pés lá! Fiquei um tempão sem cuidar de meus dentes (a não ser com um outro dentista, da Universidade, que fez a extração e cirurgia em meus incisivos danificados...). Se era aquela a única opção de dentista que eu tinha, não tinha nenhuma!
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Eu nunca contei em casa porque havia fugido de lá (acho que tinha muita vergonha!). O cara (cara de pau!) frequentava nossa casa (ainda bem que raramente!) mas eu procurava não aparecer na frente dele. Ele era professor da UFPB e, pouco tempo depois, eu soube (por uma aluna dele) que ele era mesmo conhecido como tarado... Esse tipo de "profissional de saúde" merece prisão mesmo!!
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Quando Erick nasceu, eu fui passar minha licença maternidade na casa de papai. Na época, minha madrasta foi embora e ficamos só eu e Erick com ele. Um dia, o tal dentista apareceu para uma visita. Eu, graças a Deus, estava no andar de cima, no quarto onde estávamos alojados. Papai me chamou, pedindo que viesse ver a visita e trouxesse Erick. De lá mesmo eu falei que não podia descer, inventei uma desculpa qualquer e tranquei a porta do quarto...
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Lembro que ele não demorou muito, mas que teceu (quando soube que eu era mãe solteira) o seguinte comentário: "devem ter colocado alguma coisa na bebida dela..." Tive vontade de ir lá dizer que nem todo mundo tinha o costume de se aproveitar dos outros, como ele... e que meu filho era fruto de um amor intenso, ainda que não duradouro... mas fiquei quieta... "rezando" pra ele ir embora logo... Eu tinha muito, muito nojo dele mesmo!
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Hoje, excepcionalmente, não vou ilustrar minha postagem!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mais vizinhos...

Se todos nós temos nossas idiossincrasias, eu poderia dizer que uma das minhas é observar os comportamentos que não consigo entender direito... aprendo muito com isso!
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Hoje pela manhã fui à faculdade entregar aqueles trabalhos, que já não são mais pendentes!! (como é boa a sensação de não devê-los mais!!) A monografia eu entreguei a Américo, que disse que vamos continuar o trabalho... Tudo bem, eu REALMENTE gostei muito de analisar a semântica dos verbos de punição em um Flos Sanctorum trecentista!! (aliás, tenho esse grande problema... adoro todos os trabalhos que faço em meu curso de Letras... Olha aqui uma das minhas idiossincrasias!!)
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Pois bem, só para contrariar o que falei de meu vizinho dos telefonemas misteriosos, hoje eu (ainda) não o vi na garagem ao telefone...
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No prédio em que eu morava antes morou um cara muito simpático... Ele morava com a mãe, que eu conheci muito antes de conhecê-lo... Aliás, quando a conheci pensei que ela morava sozinha... nunca a tinha visto acompanhada por ninguém. Ela era uns 10 ou 15 anos mais velha que eu e era muito bonita.
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Um dia, conheci o filho... que eu só vim a saber que era filho dela um pouco depois. Como falei antes, era um cara simpático e muito conversador. Logo ficamos amigos... tão amigos quanto eu consigo ser de meus vizinhos!! ;-) Não gosto de muita aproximação com eles... sei lá... parece que se me aproximo muito eles já vão querer ter uma participação maior do que a de espectadores da minha vida...
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Meu vizinho-amigo era, como eu, petroleiro aposentado. A princípio, eu estranhei o fato, pois ele era uns 10 anos mais novo do que eu, que já me aposentara (segundo as más línguas) muito novinha... mas, como ele trabalhara na Refinaria, devia ter lá os privilégios dele...
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Outra coisa que tínhamos em comum era o colégio de nossos filhos. A filha também estudava no Portinari... e foi a partir desse fato que eu descobri que ele era filho daquela gaúcha que sempre que me encontrava no elevador parecia que estava me conhecendo naquele momento...
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Além disso, como eu, ele voltara a estudar depois de aposentado. Estudava Filosofia na UFBA e às vezes conversávamos sobre a Universidade.
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Bem, eu só comecei a achar o rapaz estranho quando comecei a encontrá-lo colocando o carro na garagem... Naquele prédio, não é tão fácil se chegar a qualquer garagem... O acesso à minha vaga (e à dele, que ficava um pouco depois da minha, colada na parede) exigia que colunas fossem evitadas com um movimento em zigue-zague... (aliás, outra das minhas idiossincrasias era "batizar" naquelas colunas todo carro novo que eu tivesse!) Meu vizinho achava mais fácil entrar na garagem usando a marcha ré... Eu nunca o vi fazer aquilo durante o dia, mas à noite, sempre que meu horário coincidia com a volta dele para casa eu ficava preocupada em chegar antes, para não ter que esperar os, cerca de, 15 minutos que ele levava manobrando o carro até chegar à sua vaga... Àquela altura, eu achava que era porque ele era engenheiro e gostava de fazer tudo do modo mais complicado.. (que me desculpem meus colegas de primeira profissão!!) ;-)
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Mais tarde eu soube, por uma amiga comum, que ele sofria de problemas mentais e que às vezes se tornava agressivo... desde então eu fiquei com medo de estar sozinha com ele no elevador... Minha amiga dissera que quando ele cismava que alguém o estava perseguindo, tornava-se violento para com a pessoa, que, em geral, não lhe fizera mal algum...
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Ele mudou-se antes de mim, nunca mais o vi, mas tive notícias de outras crises dele... que exigiram internações... Espero que ele esteja bem...
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Eu mesma sempre tive medo de me perder de mim... de ser vizinha de mim mesma...
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A "conversa" tomou um rumo que eu não planejara... mas é sempre assim, quando começo a escrever aqui, meus dedos (o médio, ou "maior-de-todos", da mão direita e o indicador, ou "fura-bolo", da mão esquerda) obedecem a uma outra entidade que não sei precisar quem ou o quê é...
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Um papo assim meio estranho merece ser ilustrados à altura... Esse "caminho das pedras" pareceu-me adequado!
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Acho que vou que marcar meu caminho assim... com pedrinhas... para não me perder em mim nem de mim! Se bem que... por que não me perder? Quem sabe, novos caminhos possam ser descobertos se eu estiver mesmo perdida!!
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Viajei!

domingo, 16 de agosto de 2009

Vizinhos

Será que vizinhos são sempre pessoas bem diferentes da gente?? No meu caso, em geral são!!
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Aqui onde moro atualmente eu tenho um vizinho engraçado... Todas as vezes que saio de carro, eu o encontro na garagem (se não encontrar na saída, posso ter certeza que vou encontrar na volta...). Ele está sempre sozinho, em pé, atrás do carro dele, falando ao celular... às vezes também está fumando, mas em geral está só telefonando...
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Talvez ele não tenha telefone fixo em casa... talvez o sinal do celular dele seja deficiente, quando está no apartamento... não sei...
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O certo é que, frequentemente, eu o encontro antes de sair de casa, vou ao mercado ou a um outro local no qual não demoro mais que duas horas e, no retorno ele ainda está lá... Como ele é muito pequeno (mais baixo que eu!), às vezes eu só noto a presença dele quando passo em frente à sua garagem...
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Já me perguntei se é sempre para a mesma pessoa, que ele telefona... Já imaginei que ele deve ter um romance secreto e que telefona escondido da família (mas não das demais pessoas do prédio... pelo menos das que têm garagem no G5!)... e imaginei ainda se o objeto do suposto romance secreto seria uma mulher ou um homem...
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Acho que, se algum dia eu escrever um romance, meu vizinho baixinho, com muita barriga e nenhum charme marcará presença no seu enredo...
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Quando eu era pequena, e nós morávamos na Pedro II, também tínhamos uma vizinha diferente de nós... pelo menos era assim que eu entendia, quando mamãe se referia a ela como "Pescoço de Girafa"... Parece que ela estava sempre pronta a olhar o que se passava lá em casa...
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Hoje eu imagino que fosse porque na casa dela não estaria acontecendo muita coisa (ela morava só com o marido, mais tarde nasceu seu primeiro filho, que era da idade de Fernando), enquanto na nossa, cheia de meninos "arengueiros", os acontecimentos se sucediam ininterruptamente!
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Eu lembro que as relações entre mamãe e aquela vizinha não eram muito amistosas e eu era proibida de entrar naquela casa... mas, quando Fernando e Ricardo (o filho da vizinha) ficaram maiorezinhos (com uns quatro anos), chegamos a brincar juntos... Eu lembro que um dia entrei no quarto de Ricardo e fiquei encantada com a quantidade de brinquedos que havia ali!
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Lembro também que ele tinha babá (lá em casa, pelo menos desde quando eu "me entendi como gente", ninguém teve babá. Os maiores é que ajudavam mamãe a cuidar dos menores) e que ela levava as crianças (depois de Ricardo nasceu uma menina, mas não lembro o nome dela) para passear em locais próximos à nossa casa...
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Ela chamava a gente (eu e Fernando) para ir junto, mas não tínhamos permissão de mamãe... eu ficava só na vontade!
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Mas um dia nós fomos! Não sei se obtivemos a permissão, só sei que fomos brincar no parquinho da Escola Modelo (minha primeira escola,,, aquela em que fui abandonada por mamãe no primeiro dia de aula...)!
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O desfecho daquela aventura foi sangrento... eu voltei para casa com a frente do meu vestidinho de fustão azul bordado com folhas cor-de-rosa empapada de sangue... Chorando de boca aberta, pois não conseguia fechá-la depois de ter caído "de boca" em cima dos canos de "trepa-trepa" onde eu fazia minha exibição de ginástica olímpica (não sei o que eu tentava exibir, mas, como era a maiorzinha, me achava muito mais esperta do que os meninos...).
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Foi um "quedaço" e marcou minha vida para sempre! Eu mal começara a "trocar os dentes", estava com uma enorme "porteira" no lugar onde haviam estado antes meus dois lindos incisivos superiores e os substitutos definitivos mal haviam despontado na minha gengiva... Com a queda, eles quebram antes mesmo de nascer e eu tive que fazer um tratamento muito demorado (dos canais) e bastante sofrido (acho que já falei sobre esse tratamento aqui antes, espero não me estar repetindo!), que me deixou com uma enorme coleção de vidrinhos de anestesia odontológica... (não sei como a perdi, acho que me foi desapropriada por algum irmão mais velho... lá em casa se colecionava de tudo!)
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Vez por outra eu cometo uma besteira assim catastrófica... Como era de se esperar, aquela foi a última vez em que saímos com aquela babá... Na verdade, nem lembro de ter voltado a brincar na casa de Ricardo... Acho que minha queda deve ter acontecido perto na época do veraneio de 1958, quando a gente não voltou para a casa da cidade senão em 1963, depois da temporada em Recife...
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Pois é... eu só ia falar do vizinho idiossincrático... ;-)
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Como se pode ver, a menina da foto tem os dentes quebrados... e um sorriso triste...

sábado, 15 de agosto de 2009

Voltando...

... devagar, para não me machucar... para não tropeçar em uma dessas pecinhas de lembranças que sempre acabam escapando do saquinho de filó e se espalhando pelo chão... um perigo, para quem já não tem mais a resistência dos 56 anos nem o equilíbrio dos 55...
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Voltar é uma arte, mas também é técnica... eu, que, infelizmente, nunca tive talento artístico, tento dominar a técnica!
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Cada vez que voltei, ou que tive que voltar, foi uma experiência única... mas acho mesmo que cada momento vivido é assim único mesmo...
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Na realidade, talvez não haja volta. A gente nunca volta ao mesmo lugar, nem do mesmo jeito... Antigamente eu sofria muito com isso, como quando voltamos a morar em João Pessoa... Hoje eu já não crio, ou tento não criar, expectativas em relação a qualquer retorno... até mesmo ao retorno a minha rotina de escrever sobre "miolo de pote"...
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Parei com minhas postagens exatamente na véspera do aniversário de minha (desculpem-me os outros...) leitora predileta... minha sobrinha Aninha! (ou melhor, a mãe de Lucas!)
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Aninha não é só minha sobrinha. É uma das pessoas que mais me entendem e com quem eu posso falar absolutamente tudo que penso (são pouquíssimas as pessoas com as quais eu não tenho reserva alguma!), sem me preocupar em ser mal interpretada. Sei que ela vai me perguntar antes de formar algum juízo sobre o que falei (ou escrevi), se lhe restar alguma dúvida...
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Tenho muitas sobrinhas e adoro todas elas (e os sobrinhos também!), mas Aninha é diferente, talvez porque não acompanhei seu crescimento, já a conheci (ou melhor, comecei a conviver com ela) adolescente...
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É, eu perdi a infância dela por causa de uma briga besta (não lembro muito bem da briga, pois prefiro esquecê-las, mas em geral elas são mesmo bestas!) com meu irmão Marcelo. Ficamos afastados cerca de 12 anos!
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Às vezes eu penso que não me arrependo de nada na vida, mas é mentira... me arrependo de cada vez que briguei com um dos meninos (já adultos) e perdi, pelo menos temporariamente um irmão (na briga com Marcelo, perdi mesmo a família toda... junto com ele, perdi minha cunhada Sumaia, que é uma das cunhadas-irmãs, e fiquei privada das sobrinhas que nasceram durante o nosso afastamento.
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Lena ainda era menina, quando me apaixonei por aquelas sobrinhas recém-chegadas e já prontas para serem curtidas. Uma menina muito linda e inteligente, que escrevia um jornalzinho chamado A Patada (será que era mesmo esse o nome?), que me ensinou a fazer pavê de biscoito de Maizena e a fritar um ovo... (ela tinha técnica para isso!!)
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Bem, voltando às lembrancinhas do chão...
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Quando eu era menina, uma de minhas leituras prediletas era uma revista muito legal chamada Sesinho (nem sei se já não a citei aqui...). Nela havia um personagem muito bonito, que eu adorava: o João Bolinha... (que nada tem a ver com o apelido que mais tarde veio a servir igualmente a mim e a meu irmão Paulinho)
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João Bolinha era um boneco feito de contas coloridas, uma espécie de Pinóquio tupiniquim. Mais uma vez, consegui, graças à internet e aos que gostam de preservar a memória, uma imagem que eu só tinha na memória... O João Bolinha!!
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Minha mãe costumava fazer joãos-bolinhas para os pequenos, com tampas coloridas (na verdade, acho que foi Maria Sônia que fez o primeiro, não lembro também de quem foi a ideia (quase ponho o acento!), mas o que importa é que ficava muito bonito! Não tinha o acabamento do boneco da revista, mas tinha uma beleza diferente... afinal, como também participávamos da "construção", ele era um pouco nosso filho... e filho tem sempre uma beleza especial!
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Tinha tampas de óleo Palmovive, de pasta (creme dental) Phillips, de remédios variados (sempre tinha alguém doente, numa casa tão populosa!)...
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Pois bem... acho que vou fazer mão um joão-bolinha, mas uma centopéia (como a que levei de presente para Lucas)... uma centopéia-lembrancinha!
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Vou enfiar minhas lembranças com um fio resistente como aquela "linha urso" que os meninos usavam para "soltar coruja" (lá na Paraíba os meninos não soltavam pipas, arraias, piriquitos ou pandorgas, mas sim corujas!) e fazer uma grande centopéia colorida... (acho até que ela será capaz de se mexer, pois as lembranças, muitas vezes, parecem estar vivas...) e vou deixá-la aqui sobre a bancada de onde escrevo... assim vai ficar mais fácil conservar as lembrancinhas juntas e escolher alguma para "usar"...
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Aliás, poderei até usar a centopéia de "miçangancinhas" como colar... Uma daqueles colares coloridos que comecei a usar no meu período "hippie"... no tempo do hoje badalado festival de Woodstock, (onde, naturalmente, eu não estive, mas não foi por falta de vontade...) e que continuo a usar até hoje...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Breve oração

Não tive a mínima condição de escrever nada aqui ontem... não posso dizer que foi por falta de tempo, pois estive acordada quase toda a madrugada... vi (de relance, pois não queria ver!) o relógio da cabeceira de minha cama registrando 3:00... Nem a que horas adormeci, sei que quando o despertador tocou hoje às 6:00h da manhã, voltei a dormir mais meia hora...
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O que me tirou o sono, e também a capacidade de pensar em coisas que pudessem ser escritas aqui, foi minha ansiedade em concluir os trabalhos acadêmicos pendentes. Ontem tive orientação na casa de Américo (o que significa muita discussão e uma volta para casa na companhia de muita literatura específica para ser digerida e incorporada ao trabalho, que precisa ser entregue no dia 17!!). Trabalhar com as ideias que estavam pulando em minha mente, loucas para serem despejadas naquela pobre monografia, foi coisa que só pude fazer a partir da 10 da noite...
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Antes disso, vi os mails trocados entre meus irmãos e sobrinhos sobre o Centenário. Descobri que estava em dívida, pois não havia encaminhado para eles as fotos que tenho aqui de Erick com o avô... Hoje passei bnoa parte da manhã escaneando fotos dos álbuns antigos de Erick e já encaminhei algumas para a coordenação do evento... Depois de entregar os trabalhos, no dia 17, darei o necessário tratamento e encaminharei as outras, em que ele aparece com várias pessoas da família...
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Vou colocando algumas aqui, pois não tenho mesmo muito assunto hoje... além de que, são mesmo dois homens muito lindos! Aliás, todos acham que Erick é o neto que mais se parece com o avô, com quem pouco conviveu. Eu também acho, só que, para mim, a semelhança vai muito além da aparêmcia física!
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Quanto á breve oração, me foi recomendada fazê-la à Nossa Senhora dos Trabalhos Pendentes... Que ela me ilumine e me deixe acordada mais uma madrugadas, para que eu consiga concluir tudo e não decepcionar quem ainda acredita em minha competência... ;-)
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Não sei quando volto a postar algo aqui... tentarei resistir às tentações... afinal, meu futuro acadêmico está em jogo!! ;-)

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Hoje foi o Dia dos Pais... Como sou um pouco pai de meu filho, fomos ao cinema juntos para comemorar. ;-)
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Eu não lembro de comemorações desse dia lá em casa, pelo menos quando eu era pequena... Sei que quando já morava fora de casa eu costumava escrever um cartãozinho para papai naquele dia e recebi alguns de volta, depois de sua morte... cartões e cartinhas que eu lhe havia mandado e que ele guardara... Aliás, papai não gostava de jogar nada fora... no que somo0s completamente opostos, pois eu adoro fazer isso!!
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Quando começaram a praticar os "5Ss" na Petrobras, eu vibrei... esvaziei alguns armários cheios de papéis que ninguém sabia sequer se existiam (o que os tornava inexistentes!)
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Já adulta, quando ia de férias "lá pra casa", eu sempre acabava brigando com papai porque tentava arrumar a escrivaninha dele... não havia papeleta que não fosse importante, em meio à bagunça que ele dizia organizada...
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Hoje, que trabalho com Linguística Histórica e com Filologia, agradeço aos que, como ele, não jogavam fora as cartas já lidas e respondidas (ou não, acho que nunca respondeu nenhuma de minhas mensagens...). Alguns de meus colegas trabalham com cartas antigas, uma área em que eu ainda pretendo fazer uma incursãozinha...
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Bem, sobre o dia de meu pai, esse será mesmo o próximo dia 05/09... o dia em que completaria seu, primeiro, centenário e em que reuniremos toda a família (não só os descendentes e suas famílias, mas uma família bastante expandida) numa grande confraternização.
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Festas como essa costumam acontecer na minha família, só que eu, como moro distante e desconheço a maioria família (que também não tem notícia de minha existência), não costumo frequentá-las. É engraçado... da última vez em que fui a uma festa onde havia muitos Medeiros e Cia, cheguei a ouvir de um "primo" que eu não existia antes... que "Darci só tinha uma filha: Sônia!"...
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Bem, como eu tenho certeza que existo, ainda que não no mundo daquele cidadão, respondi que nasci muito depois dele, por isso ele não me conhecia, mas que com certeza eu existia, sim!
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Na realidade, o cara é meu contemporâneo e sempre foi uma pessoa, para mim, muito desagradável... Ele é da idade de Felipe e frequentava festinhas de aniversário às quais nós também estávamos presentes. Ele batia nos menores e eu tinha medo dele. O pai, que era médico, me assustava ainda mais... falava gritando e era muito feio! A mãe também era feia e eu achava que ela era uma bruxa (quando lia história em que apareciam bruxas, elas tinham a cara daquela mulher!)... eu tinha muito medo daquelas pessoas... quando eles apareciam na nossa casa, eu procurava ficar bem longe e não precisar aparecer na frente deles... Quando erámos nós a visitá-los, eu dava um jeitinho de pular o muro para a casa vizinha, que era de minha madrinha e onde eu me sentia muito mais segura!
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Bem, esse povo estará na festa de meu pai, mas acho que em meio a tanta gente, nem vou precisar vê-los!
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Muitas outras pessoas que estarão na festa também não sabem de mim. quando vou ao sertão sempre sou olhada com curiosidade... na verdade, foram poucas as vezes em que fui lá... Depois daquela vez em que fui comer buchada para ter infecção intestinal, só voltei com 16 anos... na época, por alguns anos seguidos (3, talvez...), fui ao São João e em 1970 (ou terá sido em 1969?)fui, com Felipe, fernado e Nilda (cunhada de Bartolomeu), brincar o carnaval... um carnaval muito divertido, por sinal!
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Na foto, apareço em Santa Luzia com Paulinho, na frente da casa de vovó. Devia ser sábado (dia de feira!) pois era o dia em que havia muitos jumentos "estacionados" no "beco" ao lado da casa. Dia de sábado, na casa de vovó Xixica era um alvoroço só... Tia Lilia não parava um minuto, despachando e "fazendo contas" com os "moradores" dela (era, ou é ainda, assim que são chamados os trabalhadores rurais que trabalham nas fazendas, lá no sertão)
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Quando me ambientei em Recife, ficou mais difícil viajar para Santa Luzia, onde eu nunca tive amigos, como meus irmãos tiveram e ainda devem ter...
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Desde que estudei um pouco de Biologia e soube que existem plantas com raízes flutuantes, achei que sou uma metáfora de uma delas... minhas raízes eu não as lancei todas em um só lugar... Algumas estão em João Pessoa, outras em Recife, e uma grande parte estão aqui em Salvador mesmo... Não sobraram raízes para Campina Grande, onde eu nasci, nem para Santa Luzia, que eu visitei tão poucas vezes...
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Aliás, quando eu ia para a casa de minha avó Xixica, minha diversão predileta era ler uma coleção de Seleções no início do século passado... eram revistas bem mais fininhas do que as que papai assinava nos anos 50-60, mas delas já constavam seções que eu conhecia, como "Rir é o melhor remédio" e "Pontos a ponderar"... Em casa, eu nunca lia essa última, pois não fazia idéia do que seria "ponderar", mas na casa de vovó eu já lia... já estava mais espertinha... ;-)
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No quarto em que papai e mamãe dormiam (acho que era o quarto de Jamacy, meu primo bem mais velho que eu e que havia sido criado por meus avós paternos), havia uma estante cheia de preciosidades (além da coleção de Seleções) para eu e deleitar... Lembro que havia alguns números do "Almanaque Tico-Tico", mas não estou certa se era lá, ou na casa de minha avó matera, Vina, que havia uma coleção do "Tesouro da Juventude"...
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Como fui uma criança introspectiva, meu Deus! Como eu lia! Enquanto às vezes me faltava companhia para as brincadeiras infantis, os livros nunca me deixaram sozinha!

sábado, 8 de agosto de 2009

Bordados

Há pouco eu recolhi as roupas que estavam secando no varal. Entre elas, um paninho de bandeja bem simples, é um retângulo de algodão (acho que é "percal", que me parece mais apropriado a roupa de cama, mas não importa!) rosa-claro arrematado com um bico de crochet ainda mais clarinho...
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O paninho me foi dado por mamãe. Aliás, também foi totalmente feito por ela! É um trabalho muito singelo, mas que eu acho muito bonito, especialmente pelo bordado que o completa de modo único! Em dois cantos diametralmente opostos, ela bordou umas folhas meio soltas. Bordou apenas o contorno das folhas e de suas nervuras usando pontos básicos que até eu aprendi, nas aulas de Trabalhos Manuais das Lourdinas. Mas o fez com uma combinação de cores que sempre me encantou! Acho até que foi por isso que ela o deu para mim...
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Mesmo amarrotado, como saiu do varal, continuo achando que o paninho que aparece ao lado é o mais lindo que tenho!
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Eu sempre gostei de ver mamãe bordando. Ficava mesmo encantada, principalmente quando ela bordava, na sua velha Singer (elétrica e, se não me falha a memória, inglesa) lençoizinhos de bebé (como já falei, na Paraiba, pelo menos antes da "Globo-alização", as criancinhas recém-nascidas levavam uma vogal final aberta!) ou mesmo a tradicional marca dos lençóis brancos lá de casa: ela "escrevia" o nome de papai manuscrito usando a máquina de costura comum! Não fazia nenhuma marcação a lápis ou coisa parecida, simplesmente escrevia ali aquele "Darci Medeiros" e o resultado, se não era igual, era muito parecido com sua caligrafia ao usar caneta!
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Apesar de ter aprendido alguns "truques" de costura com ela, nunca fui capaz de fazer nada parecido com aquilo!
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Para bordar os temas infantis nos lençoizinhos de berço, acho que ela riscava o desenho antes, mas mesmo assim eu considerava aquela uma coisa surpreendente... Os bordados eram sempre lindos, apesar de feitos com recursos que não eram, acredito, os mais adequados.
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O paninho que mostro aqui, foi bordado a mão e o que admiro nele é a criatividade do efeito final. Acho que, na realidade, ela fez o trabalho quando aprendia, com minha cunhada Cleonice, alguns pontos de croché (mais uma vogal final aberta!).
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Quando fiquei grávida, eu também quis fazer eu mesma algo para o enxoval de meu filho. Até planejei bordar, mas desisti diante da minha total falta de jeito com minha máquina de costura (que diz que permite pontos de bordado, mas não permitiu a mim!) e da minha falta de habilidade manual para bordados delicados... limitei-me a comprar tecido de algodão xadrez e fazer seis lençoizinhos, de cores diferentes, enfeitados com passamanarias (acho que é esse o nome, escutei essa palavra ainda ontem em um armarinho... na verdade, para mim, era mesmo "entremeio de bordado inglês") e fitinhas de cetim da cor do xadrez... Naturalmente eu achei que ficaram lindos... pelo menos foram feitos com muito amor e com o incentivo dos pontapés insistentes de meu bebê (aqui em Salvador, nos anos 80, com a vogal final fechada...).
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Mamãe devia gostar muito de trabalhos manuais, lembro que ela fez alguns cursos, já depois que Paulinho cresceu e que lhe sobrava mais tempo para ela mesma... Ela dizia que os trabalhos dela eram "de carregação", mas certamente que ela gostava de fazê-los... exatamente como eu! Nesse aspecto (entre outros) eu "puxei a ela"!
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Quando eu era menina, era Maria Sônia que eu via fazendo todos aqueles cursos atraentes: pintura (com Nevinha Araújo, nunca vi a pessoa, mas ouvi muito esse nome!), corte e costura (ela tinha um papelão enorme que usava quando ia praticar o que aprendera e usava também uma coisa maravilhosa: uma "carretilha" novinha! Mamãe também tinha uma, já bem usada. Eu nunca tive a minha! Aliás, elas também tiveram dedais, mas eu não! Será que quem vai ser freira não precisa ter essas coisas?), renda-irlandesa, frivolité, culinária (que eu achava ótimo, pois, às vezes, ela levava uns quitutes maravilhosos para casa e eu provava!) e datilografia...
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Eu também fiz curso de pintura, na extensão da UFPB, mas nunca tive o talento de Maria Sônia... Fui de uma turma de pintura Infantil e até cheguei a participar de uma exposição coletiva dos alunos (teve até convite e meu nome figurava entre os expositores, preciso encontrar onde foi parar o meu! Sumiu... como sumiu minha flâmula comemorativa de minha conclusão do Ginásio, no Lyceu paraibano...), mas acho que minha "carreira artística" ficou parada ali em 1966 por muito tempo.. até que a retomei, com os cursos de Teatro e Canto Cênico, em 2006... e voltei a entrar em recesso!! ;-)
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Hoje, escrevendo aqui todos os dias, eu, novamente, me identifico com minha mãe, que nos deixou, escritas em uma agenda velha (que lhe fora dada por Carlos) muitas pequenas mensagens... Apesar de adotar um estilo totalmente diverso do dela, eu também vou deixando aqui tudo que tenho a falar... inclusive, eventualmente, o que nem deveria falar!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Manias

Hoje é um daqueles dias em que só passarei aqui para satisfazer minha necessidade de manter o vício...
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Mas vou deixar um presente para os que, por acaso, me visitarem hoje... É um vídeo com uma entrevista com uma pessoa que admiro e respeito muito, cujos livros gosto de ter na cabeceira e que é meu modelo de teólogo: Leonardo Boff.
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http://www.atarde.com.br/videos/index.jsf?id=1184974
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O vídeo é um tanto longo, mas, para eu já o assisti duas vezes, sem cansar!
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Passei a tarde "viajando" com Erick nas fotos que ele trouxe da aventura européia... Foram três horas vendo as mais de 1200 fotos... E a sessão só acabou porque a bateria da máquina descarregou... Hoje é assim: os viajantes trazem gravados em pequenos cartões de memória, em forma de bits e bytes, todos os sons e as imagens dos locais visitados... Quem sabe, em breve também serão gravados os aromas, sabores e as sensações táteis...
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Quando, em 1980, eu fiz uma viagem à Europa, levei uma Kodakezinha "peba" que usava uns
filmes blindados, daqueles não precisavam ser reenrolados quando se batia a última foto. A "bichinha" não permitia qualquer regulagem (era a ideal para mim, que não sabia fotografar!) e os filmes podiam ser de até 36 posições. Foi com essa maquineta que fiz as poucas fotos de cada um dos 10 países que visitei...
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Como nem todas ficaram boas, acho que, no final, fiquei com umas 50 fotos da viagem... Em compensação, comprei quilos de cartões postais (fotos bonitas e impessoais!), alguns despachei pelos Correios, outros vieram na minha bagagem de volta...
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Quando Erick nasceu, eu peguei emprestada de meu amigo Godói uma máquina ótima. Uma daquelas que tinham (o verbo vai no pretérito, pois acho que elas já não existem...) avanço automático do filme e permitiam que fossem batidas várias fotos seguidas... Como resultado, Erick virou meu modelo fotográfico particular e antes de completar um aninho já tinha cerca de mil fotos... (talvez por isso, hoje não gosta de ser fotografado!)
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Hoje em dia, com as câmeras digitas, inclusive as embutidas nos telefones celulares, está de tal modo implantada a cultura da fotografia, que nada acontece sem que se faça algum registro fotográfico, ainda que depois seja apagado...
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Com apenas um pouco de exagero, posso dizer que conheço quem não vá dormir sossegado se não tiver tirado ao menos uma foto no dia!
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Bem, apesar de meu exagero quando do deslumbramento da maternidade, não sou uma grande usuária de câmeras fotográficas, nem nasci para modelo...
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Recentemente, na minha formatura de Letras, a câmera que eu havia preparado de véspera e que entregara a Erick para que fizesse a reportagem amadora do evento, voltou com apenas uma foto minha... e umas poucas que ele fez no baile, com os amigos dele... (aliás, eu ainda não fui ao stúdio para ver as fotos oficiais... e lá, na Reitoria, não quis saber de ficar em fila para fazer milhares de fotos... pelo contrato tenho direito a um álbum com 20 fotos, que espero que o fotógrafo tenha conseguido fazer!)
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No ROSAE também fiz foto alguma, aliás, sequer levei a câmera, mas copiei umas dos álbuns do Orkut dos amigos... ;-)
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No dia da chegada de Erick, como já falei, fui almoçar com amigas que tenho encontrado muito pouco e levei a máquina fotográfica (inclusive porque de lá iria direto para o aeroporto e queria fazer fotos da chegada, como havia feito da partida dos "três mosqueteiros"), mas só a vi na bolsa quando cheguei em casa...
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É... mas os meninos (e o avião) foram devidamente "clicados"! Para ilustrar a "conversa" de hoje, fotos do avião (ou, nessa minha breve gravidez, fotos da cegonha que me trouxe meu filho...)! ;-)



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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Viciada!

Não tem mais jeito... assumo publicamente que sou uma viciada!
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Eu sempre me achei superior a qualquer vício. Estaria imune à fraqueza que atormentava tanta gente... Afinal, meu acervo de fraquezas já causava inveja a qualquer colecionador, não havia mais espaço para uma nova... Mas as coisas não acontecem sempre como a gente quer ou pensa!
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O vício me pegou sem que eu percebesse... no início, quis experimentar a droga só para ver se "dava barato"... Como sou medrosa, minha dose inicial foi pequena...
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Gostei do "troço"... não doeu (muito), não foi difícil encontrar um lugar onde eu pudesse experimentá-lo, não incomodei ninguém, nem fui incomodada com minha nova experiência... No final, não senti "barato" senti um caríssimo alívio!! Aliás, nunca soube exatamente o que significa "barato", mas, pela associação ao nome daquele bichinho nojento que tanto me assusta, procurei evitá-lo!
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Depois de minha iniciação, nas primeiras 24 horas seguintes, várias vezes me peguei desejando ardentemente uma nova dose... Resisti e só me permiti repetir a experiência depois de passado um dia inteiro da "estréia". No entanto, repetir aquele ato não foi algo corriqueiro... a vontade de fazê-lo era cada vez maior, mas eu não lembrava onde havia guardado tudo que eu precisava para poder chegar àquele clímax novamente... a ansiedade atrapalhava meu raciocínio e a memória me traía... de repente, lembrei!!
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Pude então voltar a abrir o site onde havia, na noite anterior, perdido minha virgindade de blogueira... Encontrado meu blog (eu até esquecera que nome, exatamente, lhe havia dado...), salvei seu endereço para não mais depender de uma memória que já não consegue guardar todas as novas informações que precisaria, uma memória que está precisando passar por um processo de "dumping", "descarregando" tudo para um outro meio; e de uma reorganização das lembranças nela armazenadas...
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Pois é isso... estou viciada em escrever aqui... como meu vício (o primeiro ao qual me entreguei sem reservas) não atrapalha a ninguém além de mim mesma (e assim mesmo só um pouco, quando uma lembrança surge muito saliente e provoca tanta coceira que eu tenho que parar qualquer trabalho para lhe dar o tratamento adequado...), o vou assumindo e nele me consumindo... Há pouco tempo, eu não mostraria a ninguém todas as bobagens que escrevo aqui, mas hoje, tendo, inclusive, percebido que não sou a única dependente dessa "droga", até já divulgo para amigos...
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Acho que, depois de quase 58 anos vividos, tenho o direito de cometer esse pecado sem precisar correr para o confessionário contar a um padre que me mandaria rezar 5 Ave-Marias e 5 Pai-Nossos...
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Era essa a minha penitência semanal, quando eu, até meus 12 anos, humildemente me ajoelhava e confessava que havia "pecado por pensamentos, palavras e obras"... Eu não fazia a menor ideia do que significava pecar-por-pensamentos-palavras-e-obras, mas era esse o texto que me ensinaram que eu devia repetir ao padre toda vez que me ajoelhasse ao confessionário... e eu cumpria exatamente o que esperavam de mim...
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É engraçado como eu podia ser tão submissa em alguns aspectos e tão rebelde em outros...
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Se bem que, lembrando um livro horroroso que caíra nas minhas mãos e me fizera ter medo até de respirar, pois "a mão peluda do demônio" poderia me apertar o pescoço a qualquer hora, é fácil entender o porquê de minha submissão ao que me era imposto pelas freiras e por mamãe... Que, como já falei, sonhava em me ver de hábito...
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O livro horroroso chamava-se "Confessai-vos bem!" e eu acho que me foi passado para ler pelo colégio... O Maria Auxiliadora foi marcante em minha vida por ser o colégio que mais me traumas me deixou... enquanto o Lyceu Paraibano deixou-me marcas de libertação.
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Na foto ao lado (no Parque de Dois Irmãos, o passeio predileto de nossa infância recifense), eu realmente pareço uma noviça com dor-de-dentes, alguém poderia imaginar futuro diferente da vida em um convento para essa menina? Felipe, que está ao meu lado, seria o padre da família... mas ele não tinha muito cara de padre...
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Qualquer pessoa desavisada, ao ler aquele livro fica achando que viver é pecado e esperando encontrar o demônio em qualquer esquina. Os efeitos que ele causou em mim, que na época vivia a difícil fase em que os hormônios tentavam fazer de uma adolescente, foram por demais devastadores!
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Francamente, eu acho que se eu não tivesse estudado em colégios de freiras seria hoje uma seguidora fiel de alguma religião pré-estabelecida, ao contrário do ser religiosamente independente que hoje sou! Ao invés de me ajoelhar aos pés de um padre e confessar meus "pecados", escrevo aqui tudo que passa pela minha cabeça. Minha penitência é atender ao vício que já me domina! (sei que algumas das pessoas que acabaram de ler o que escrevi hoje não gostaram nem um pouco... peço desculpas!) ;-)