Hoje eu deveria ter retomado minha rotina de caminhadas para reverter o processo (não-autorizado, indevido e clandestino!) de recuperação de quilos eliminados...
.Como tive que "correr" o bairro todo em busca de um caixa
eletrônico do Banco do Brasil cuja impressora estivesse funcionando (precisava
escanear e enviar os comprovantes de pagamento de pedidos de alguns livros que fizera aos
sebos) e depois fazer o almoço, acabei deixando meu exercício para amanhã... Não gosto de deixar certas coisas "para amanhã"!
.Mais uma vez, voltarei a falar sobre a
Tambaú de minha infância...
.Naquela época em que moramos no Gonçalo, pudemos desfrutar de uma praia quase que particular... (já falei sobre isso? Bem, pelo menos já pensei em falar...)
.
Poucas eram as casas (em geral, de veraneio) daquela região. Não havia praticamente casa nenhuma além da "igrejinha"... lembro que havia um casebre onde morava um carvoeiro que fazia carvão ao lado de sua casa... Não tínhamos mais fogão a carvão, mas acho que ele nos vendia carvão para ser usado em um fogareiro de barro onde se assava carne de sol na brasa (sobre o fogareiro era colocada uma grelha)... Papai gostava muito daquele prato, principalmente se tivesse uma camada de gordura, que depois de assada ficava meio
transparente... Eu achava lindo, mas a gordura me causava nojo... pior do que aquilo, só o "tutano" que papai extraía dos ossos (acho que era quando comia carneiro) e comia com muito gosto... Eu morria de nojo daquilo!
.Pois é... do jeito que eu rejeito gorduras, deveria ser bem magrinha... ;-)
.
Voltando à praia...
.Lembro que naquela época já havia uma estreita "pista" asfaltada que foi "engolida" pela maré quando morávamos lá... A pista era muito mal feita... acho que era apenas asfalto sobre a areia! O mar cavou tudo por baixo e nós, quando brincávamos de "bandido e mocinho", nos escondíamos sob a camada de asfalto... (não, não tínhamos juízo nem noção de perigo, mas a camada era tão fina que talvez nem não machucasse tanto, se caísse sobre nós...)
.Naquela época eu passava as manhãs inteiras à beira-mar, não nos faltava diversão ali! Os banhos de mar eram animados, os meninos gostavam de "pegar jacaré" (mamãe também gostava) mas eu preferia ficar fora da região onde as ondas quebravam... minhas experiências com jacaré eram trágicas... eu sempre acabava me sentindo dentro de um
liquidificador, com os cabelos entranhados de uma areia grossa cuja posterior retirada me era penosa...
.Se minha "juba" sempre foi farta e difícil de ser domada, imagine (ou observe na foto...) como era há 50 anos...
.
Eu vivia na praia, não havia
shampoo (às vezes, mamãe lavava meus cabelos com Sabão
Aristolino, uma coisa terrível, pois quando caía nos olhos ardia como se fosse uma brasa queimando...), creme para
desembaraçar, para pentear... No máximo, havia Óleo
Palmolive, para amenizar a situação...
.Na realidade, eu fugia de quem quisesse lavar meus cabelos ou me pentear... Foi nessa época, sob uma aliança do sol com os
hormônios da puberdade, que meus lindos
cachichos se rebelaram para sempre!
.Para poder ficar "no fundo", longe do perigo das ondas quebrando, eu usava
boia de câmara de ar ou mesmo a ajuda de algum "cavalete" (pedaço de pau de jangada que a gente encontrava na beira mar e resgatava, guardando para nosso uso).
.A praia particular nos permitia até ter palhoça privativa construída na areia e trampolim dentro do mar...
.
Quando eu era
menorzinha, lembro que havia um trampolim muito bem feito (tinha até escada e plataforma, fixa, para os saltos!), que não era "nosso" e que depois foi feito um novo (acho que esse era nosso, sim, ou de nosso vizinho, o que seria a mesma coisa...) bem mais
simplezinho e perigoso. Acho que nunca subi naquilo!
.
Anos depois, aquele "trampolim" virou "o toco" que assustava e ameaçava a todos que tomavam banho de mar ali... lembro das tentativas de se "arrancar o toco", mas não era fácil... ele sobreviveu ameaçando e provocando acidentes até a época em que eu ia lá com
Erick pequeno...
.Como éramos mal-educados!!